Jarbas Homem de Mello comenta vida sexual aos 50 anos: 'Ainda melhor'

·4 minuto de leitura

Se houvesse uma premiação oficial para eleger o casal do ano, Jarbas Homemde Mello e Claudia Raia certamente estariam no páreo. Os dois adoram trocardeclarações de amor pelas redes sociais e compartilhar momentos de alegria, quevão do dia de sola na praia aos cuidados com a pele. A julgar pela empolgaçãode Jarbas, nada disso parece coisa de quem só quer sair bem na foto. "Nãopara dizer que somos um casal perfeito, mas somos apaixonados, aproveitamos avida juntos e temos muito prazer em estarmos juntos", diz o ator ebailarino.

Na entrevista a seguir, Jarbas conta que já teve a "masculinidade"questionada por ser bailarino e aproveita para falar sobre a importância decombater esses rótulos. De quebra, fala sobre como tem vivido a sua sexualidadeaos 50 anos: "De um jeito maravilhoso! Maturidade e intimidade são duascoisas que se complementam muito e fazem com que o sexo seja aindamelhor".

O GLOBO - Você e Claudia costumam trocar muitas declarações públicas de amor. O que mantém esse romantismo tão vivo?

JARBAS HOMEM DE MELLO - Muita cumplicidade, parceria, respeito e amor. Acho que a gente não deve mesmo guardar quando quer se declarar. Vivemos tantas coisas juntos, tantos momentos maravilhosos. Adoro compartilhar isso com as pessoas. Não para dizer que somos um casal perfeito, mas somos apaixonados, que aproveitamos a vida juntos e temos muito prazer em estarmos juntos.

Muitas mulheres poderosas e independentes como a Claudia relatam que essa postura soa intimidadora para alguns homens. Como se dá essa relação, no seu caso?

Eu não me intimido não (risos). Claudia é uma mulher decidida, independente, que sabe o que quer. Amo isso! É uma mulher que inspira, não que me intimida.

Como entende a masculinidade no mundo contemporâneo?

Estamos começando a falar um pouco mais sobre a masculinidade tóxica, essa ideia completamente equivocada de que homem não chora, não se cuida, não diz o que sente, não faz as tarefas domésticas. Isso é um absurdo tão grande. Não tem um jeito certo ou errado de ser homem. Homem pode sim ser sensível, chorar, dançar, fazer as tarefas domésticas. Por que não? Por que fazer essas coisas não estão dentro do pacote do que é socialmente entendido sobre o que é ser homem? Isso diz muito sobre a sociedade machista em que a gente vive ainda. Mas acredito que falar sobre isso e debater essas questões é o que vai nos fazer avançar.

A sua "masculinidade", aliás, já foi questionada por conta de sua profissão?

Sim. Mas eu me sinto confortável comigo e com a minha profissão, que eu amo tanto. É engraçado porque quem quer julgar olha só um aspecto. No meu caso, é a dança. Ainda tem esse preconceito de que homem não pode dançar. Onde está escrito isso?

O que você acha disso?

É um pensamento muito reducionista. Incentivar essa ideia de que tem coisas para homem e outras para mulher contribui para que ainda não tenhamos uma sociedade igualitária, que vê as potencialidades de homens e mulheres e oferece a ambos as chances de se desenvolverem de maneira livre no que escolherem fazer. Isso contribui para termos pessoas aprisionadas, que não encontram espaço seguro para ser como quiserem ser.

Ainda passa por esse tipo de questionamento?

Não mais, ainda bem. Acho que isso já é sinal de que as coisas estão mudando. Mesmo nas redes sociais, quando posto rotina de skincare, fazendo atividades domésticas, dançando, as pessoas se divertem, comentam, elogiam. Não tem mais aquele tom de crítica ou de julgamento, como se eu estivesse fazendo algo que não era para eu fazer. Por isso, me sinto cada vez mais à vontade para mostrar meu dia a dia nas redes sociais também.

Como a sexualidade tem se revelado aos 50 anos?

De um jeito maravilhoso! Maturidade e intimidade são duas coisas que se complementam muito e fazem com que o sexo seja ainda melhor aos 50 anos. Sobre a paixão, sou uma pessoa apaixonada. Sou apaixonado pela vida, pelo meu trabalho, pela Claudia, pela vida que estamos construindo juntos. Tudo isso reflete na intimidade e faz com que tudo seja melhor, mais gostoso e mais bem aproveitado. Viver apaixonado é viver com aquele brilho no olhar, é viver com esperança, algo que estamos precisando tanto ultimamente.

Existe uma pressão sobre os homens neste aspecto? Como lida com isso?

Acho que a questão sexual sempre é uma pressão para os homens, e vai na contramão das mulheres. Enquanto às meninas é ensinado que não podem ter desejo, aos meninos é incentivado desde cedo que eles olhem para mulheres como alguém para satisfazê-los, fazendo com que eles acabem objetificando a mulher. É estabelecer uma relação desigual desde cedo. Eu busco não levar minha vida preocupado com essa pressão externa, com o que a sociedade espera de mim. Estou feliz e é isso que importa.

E como andam os projetos profissionais? O que pode nos adiantar?

Posso dizer que muitas coisas estão vindo por aí. Vai ter uma nova temporada do programa "Talentos", da TV Cultura e estou com um projeto de teatro on-line e interativo que deve sair do papel em breve. E tem o "Conserto para Dois", peça minha com a Claudia, em que eu atuo e dirijo. Queremos muito, quando for possível, retomar a turnê nacional dela.