Jardim Botânico ganha patrocínio de R$ 10 milhões para novo museu do meio ambiente

Guardião de mais de 23,7 mil plantas de todos os biomas brasileiros e de mais de dois séculos de história, o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico quer ser reconhecido pelo público também como museu a céu aberto. Para isso, o Museu do Meio Ambiente, instalado num edifício do final do século 19, será totalmente remodelado com patrocínio de R$ 10 milhões da Shell. A parceria, com prazo inicial de três anos, foi oficializada ontem. Hoje, o espaço sofre problemas estruturais, como infiltrações, e não conta com uma exposição permanente que ofereça aos visitantes a dimensão do que representa a instituição, inclusive no campo da pesquisa.

O anúncio do novo museu no prédio — que só abriga mostras temporárias, como a do artista ítalo-brasileiro Lucio Salvatore, em cartaz— afasta um fantasma que deixou ambientalistas e vizinhos assustados no fim de 2020: na época, foi revelada a intenção do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de transformar o lugar em hotel boutique. Assim como todo o Jardim Botânico, que completou 214 anos no último dia 13, o museu é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Natureza e tecnologia

André Araujo, presidente da Shell Brasil, agora patrocinadora master do instituto, diz que uma portaria do Jardim Botânico publicada em fevereiro, criando o programa Ecomuseu, motivou o interesse da marca:

— Nosso foco agora é revitalizar esse museu, com a certeza de que sua entrada será gratuita — afirma Araujo. — Ele será a porta de entrada do Jardim Botânico. Muitos entendem o instituto só como parque. Precisamos apresentar todo o seu potencial.

As obras do novo Museu do Meio Ambiente começam entre outubro e novembro deste ano, com reinauguração no segundo semestre de 2023. Presidente do Jardim Botânico, Ana Lúcia Santoro diz que o projeto permitirá aos visitantes acesso a um acervo que reúne parte da história da pesquisa sobre a flora brasileira, como documentos e registros de expedições pelo país. Só de fotografias, são 15 mil, muitas em negativos de vidro. Entre as pérolas locais há fotos da visita, em 1925, do cientista Albert Einstein.

— O programa Ecomuseu pretende dar ao visitante uma nova perspectiva sobre o Jardim Botânico. Aqui é um lugar que produz conhecimento e atua na preservação da nossa biodiversidade, representando o Brasil internacionalmente. É diferente de outros parques, porque se trata de uma coleção viva — destaca Ana Lúcia. — Muitas vezes, o público não consegue alcançar toda essa bagagem quando nos visita.

Fundado por Dom João VI, que plantou a semente da palmeira-imperial que virou a mãe da espécie no Brasil, o Jardim Botânico passou a contar com o Museu do Meio Ambiente em 2008, nos 200 anos da chegada da Corte. O IDG, que cuida do Museu do Amanhã, foi contratado pela Shell para tocar a curadoria do espaço. Presidente do instituto, Ricardo Piquet adianta que não faltará tecnologia:

— Como construir uma narrativa abrindo mão da tecnologia? Como falar da neurociência dos vegetais sem ela? Teremos espaços interativos e também para os objetos que ajudam a contar histórias do Jardim Botânico, como das suas expedições e personagens.

Fundado por Dom João VI, que plantou a semente da palmeira-imperial que virou a mãe da espécie no Brasil, o Jardim Botânico passou a contar com o Museu do Meio Ambiente em 2008, nos 200 anos da chegada da Corte. O IDG, que cuida do Museu do Amanhã, foi contratado pela Shell para tocar a curadoria do espaço. Presidente do instituto, Ricardo Piquet adianta que não faltará tecnologia:

— Como construir uma narrativa abrindo mão da tecnologia? Como falar da neurociência dos vegetais sem ela? Teremos espaços interativos e também para os objetos que ajudam a contar histórias do Jardim Botânico, como das suas expedições e personagens.

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