Jean-Luc Mélenchon, a esperança da esquerda de voltar ao poder na França

Aos 70 anos, Jean-Luc Mélenchon, um orador brilhante e admirador da esquerda na América Latina, busca devolver o poder à esquerda na França liderando uma frente unida nas eleições legislativas, após uma derrota agridoce nas presidenciais.

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— Nossas possibilidades de vencer são bastante altas — disse o esquerdista a seus simpatizantes no início de junho, durante um comício em Paris.

Com 22% dos votos, o político veterano terminou em terceiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial, e agora busca a revanche. Para ele, as legislativas são como "um terceiro turno". Ele acredita que muitos eleitores votaram no centrista Emmanuel Macron para evitar a candidata de extrema direita Marine Le Pen.

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Impulsionado por seu resultado e sua imagem de "voto útil", Mélenchon conseguiu, não sem dor, atrair ambientalistas, comunistas e socialistas para criar, juntamente com sua formação no França Insubmissa (esquerda radical), uma frente unida para as legislativas.

'A República sou eu!'

Macron aposta sua maioria parlamentar nestas eleições. Para tentar frear o avanço dessa Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), enfatizou o "perigo" para a França e para o mundo de um Mélenchon no poder.

De fato, as conhecidas explosões de raiva do veterano político minaram sua imagem entre os eleitores. A mais famosa aconteceu em 2018, quando durante uma busca policial na sede de seu partido, em Paris, quando gritou para as forças de segurança: "Eu sou a República!".

No entanto, sua terceira campanha presidencial aconteceu sem muita confusão, com o candidato passando uma imagem mais controlada. Nesta reta final, no entanto, voltou a provocar polêmica com um tuíte: "A polícia mata".

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A declaração, após a morte de uma jovem em um controle policial, provocou uma onda de indignação política. Mas é justamente essa forma de "falar com o coração", segundo Ali, um simpatizante de 52 anos, que convence parte do eleitorado.

"Mélenchon conseguiu cumprir todos os critérios de um candidato populista (...): discurso de proximidade tingido de demagogia em um corpo autoritário e poderoso", escreveu Jérémie Peltier, em nota da Fundação Jean Jaurès.

Neto de espanhóis nascido em Tânger (Marrocos), ele recebeu o apoio dos ex-presidentes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que lhe desejaram "sucesso no primeiro turno" da eleição presidencial.

Admirador de Chávez

Jean-Luc Mélenchon, admirador do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez e do partido espanhol Podemos, foi membro do Partido Socialista francês durante 30 anos, senador e ministro, antes de sair bruscamente da formação.

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O ex-militante estudantil trotskista criou seu próprio movimento, o Partido de Esquerda, com o qual obteve 11,1% dos votos na eleição presidencial de 2012, junto ao Partido Comunista. Em 2017, fundou o França Insubmissa.

O "Chávez francês", como foi chamado pelo jornal conservador Le Figaro, considerava o presidente venezuelano "a ponta da lança" de um processo que abriu "um novo ciclo" na América Latina, "o da vitória das revoluções cidadãs".

Pai de uma menina e cuidadoso com sua privacidade, Melenchon sonha em seguir os passos do novo presidente do Chile:

— Como Gabriel Boric, retomamos o fio histórico da esquerda francesa e dessas lutas que nos encorajam.

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