Jejum intermitente: prática pode não ser tão útil para emagrecer; entenda

A estratégia alimentar conhecida como jejum intermitente ganhou popularidade nos últimos anos. O método consiste em consumir todas as refeições do dia em um curto período e passar a maior parte do dia em jejum. Essas janelas podem durar de seis a 10 horas, resultando em uma pessoa em jejum por até 18 horas por dia. Alguns trabalhos realizados com animais de laboratório mostraram que a prática melhora o metabolismo da glicose e beneficia alguns indicadores de risco cardiovascular e ainda promove a perda de peso. Entretanto, as evidências em humanos ainda são escassas.

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De acordo com um novo estudo sobre o assunto, realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, esse tipo de alimentação não tem tanto impacto para emagrecer quanto se pensava. Na verdade, a mudança de peso é mais afetada pelo tamanho e frequência das refeições do que pelo intervalo entre elas.

No trabalho, os pesquisadores acompanhara 547 pessoas, por seis anos. A equipe optou por não direcionar os participantes a seguirem um padrão específico de alimentação. Eles apenas rastrearam os horários e tamanhos das refeições diárias e os correlacionaram com os padrões de perda de peso ao longo do período.

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Os horários em que os participantes dormiam, acordavam e se alimentavam eram registrados por meio de um aplicativo no celular. Isso permitiu que os pesquisadores acompanhassem o tempo da primeira à última refeição para cada pessoa, bem como o tempo desde o despertar até a primeira refeição e o tempo da última refeição até o sono.

As descobertas, publicadas recentemente na revista científica Journal of the American Heart Association, revelaram que não havia ligação entre o período do dia em que a pessoa se alimentava e alterações no peso ao longo dos anos de acompanhamento. Isso significa que não fazia muita diferença para a perda de peso se a pessoa ficava menos ou mais tempo em jejum.

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Pelo contrário. O que fez diferença no peso dos participantes foi o número total de refeições médias (de 500 a 1.000 calorias) e grandes (mais de 1.000 calorias) que uma pessoa comeu por dia, ao longo dos anos. De acordo com os pesquisadores, essas descobertas sugerem que simplesmente comer refeições menores, com menos frequência, é o que leva à perda de peso.

“É importante ressaltar que encontramos uma associação entre a ingestão de refeições maiores e mais frequentes por dia e o aumento de peso, indicando que a ingestão calórica total é o principal fator de ganho de peso”, escreveram os autores.

As limitações do estudo incluem o fato de ter sido um trabalho observacional. Isso significa que não é possível afirmar que a perda de peso está associada apenas ao tamanho e frequência das refeições. Mesmo assim, os resultados são importantes para pessoas que adotam o jejum intermitente como método para emagrecer, pois indica que não adianta controlar a hora da alimentação, mas não o conteúdo e a quantidade.