Jerônimo derrota ACM Neto e é o novo governador da Bahia

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Em sua primeira disputa eleitoral, o ex-secretário estadual da Educação Jerônimo Rodrigues (PT) derrotou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e será o novo governador da Bahia.

Com 96,34% das urnas apuradas, Jerônimo tinha 52,54% dos votos válidos e não pode mais ser ultrapassado por ACM Neto, que tinha 47,46%, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Com a vitória neste segundo turno, o PT vai governar o estado da Bahia pela quinta vez consecutiva. Jerônimo repete o feito de seus padrinhos políticos, o governador Rui Costa e o ex-governador Jaques Wagner, que foram eleitos respectivamente em 2014 e em 2006.

Ancorado no apoio do candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Rui Costa, Jerônimo Rodrigues fez uma campanha com o desafio de se tornar conhecido pelo eleitorado baiano, já que concorria a um mandato eletivo pela primeira vez.

Ele foi escolhido candidato apenas em março deste ano em meio a uma crise no PT baiano após a desistência do senador Jaques Wagner em concorrer ao governo do estado.

Agrônomo e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana, Jerônimo foi secretário estadual de Desenvolvimento Agrário e de Educação. É considerado um nome próximo a Rui Costa dentro do PT baiano.

O petista iniciou a campanha de um patamar baixo, registrando 16% das intenções de voto na primeira pesquisa Datafolha divulgada em 24 de agosto, contra 54% de ACM Neto.

Mas ganhou tração durante a campanha, sobretudo após o início da propaganda eleitoral na TV e no rádio, ao mesmo tempo em que seu principal adversário reduziu o seu patamar de intenção de votos. Terminou o primeiro turno com 49,45% dos votos válidos contra 40,80% do ex-prefeito de Salvador.

No segundo turno, Jerônimo reforçou a aposta na nacionalização da campanha e intensificou a associação entre o candidato e Lula.

Prefeitos, deputados, vereadores e líderes políticos que haviam apoiado ao ex-prefeito de Salvador no primeiro turno aderiram ao petista. As alianças incluíram até um movimento "JeroNaro", com voto casado em Jerônimo e no presidente Jair Bolsonaro (PL).

Diferentemente do adversário, ACM Neto se manteve neutro nos dois turnos da eleição nacional para atrair tanto eleitores de Lula como de Bolsonaro.

Na corda-bamba entre lulistas e bolsonaristas, foi chamado pelos adversários como o "candidato do tanto faz" e fustigado pelos dois lados. No segundo turno, contudo, fez acenos mais claros para os eleitores bolsonaristas e recebeu o apoio do presidente, que defendeu voto em ACM Neto.

Na campanha, deu destaque às ações de sua gestão como prefeito de 2013 a 2020 e apostou em um desgaste do grupo político adversário, que está há 16 anos no poder.

Para isso, mirou suas baterias nas áreas de segurança pública, onde a Bahia lidera em número de homicídios, e na educação, área que foi comandada por Jerônimo de 2019 a 2022 e que registrou o quarto pior desempenho no Ideb para o ensino médio em 2021 entre os estados brasileiros.

Também deu destaque à figura política do avô Antônio Carlos Magalhães, que governou o estado em três oportunidades, uma delas eleito pelo voto direto.

Os dois candidatos travaram um embate pelo apoio líderes políticos e por engajamento nas redes sociais, onde as críticas a ACM Neto ganharam maior repercussão.

A principal delas foi a autodeclaração racial de ACM Neto como pardo na Justiça Eleitoral, episódio fez crescer buscas na internet relacionadas ao ex-prefeito.

ACM Neto e Jerônimo ainda travaram uma disputa em torno das alianças partidárias antes do início oficial da campanha. De um lado, o ex-prefeito de Salvador conseguiu atrair o PP, partido que era aliado do PT e que é comandado pelo vice-governador, João Leão.

O PT, por usa vez, contra-atacou e levou para sua base aliada o MDB, partido sob influência de Geddel Vieira Lima e que indicou o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Júnior, como candidato a vice-governador.

Em 2022, a disputa eleitoral na Bahia repetiu um quadro de polarização entre grupos que se enfrentam desde 1998.

De um lado, estava a tradição do carlismo iniciada por ACM, cujo grupo comandou a Bahia entre 1990 e 2006 e que se reinventou com ACM Neto. Do outro, estava o PT, que disputou todas as eleições para o governo desde 1998 e mantém hegemonia no estado desde 2007.