Jerominho chegou a anunciar candidatura a deputado federal no início do ano

No início deste ano, Jerominho, morto a tiros na tarde desta quinta-feira em Campo Grande, anunciou que seria candidato a deputado federal nas próximas eleições. Ele era filiado ao partido Patriota. No entanto, logo após o anúncio, o ex-vereador foi preso devido a uma condenação antiga por extorsão a mão armada contra motoristas de vans, um crime cometido em 2005. Menos de uma semana depois, ele foi solto porque a Justiça detectou que Jerônimo Guimarães Filho já havia cumprido o total da pena a que tinha sido condenado.

O crime: Jerominho é baleado e morto em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio

Acusado de mandar matar um motorista de van: Ex-vereador Jerominho ganha liberdade após quase 11 anos de prisão

O prosseguimento da candidatura, não era visto com bons olhos dentro do partido, já que ele estava inelegível. Jerominho, então, passou a declarar apoio ao Coronel Sérgio Porto, pré-candidato a deputado federal, e ao deputado estadual Jalmir Junior, que tenta novo mandato na Assembleia do Rio. Na última semana, Jerominho usou as redes sociais para oficializar o apoio aos candidatos e escreveu: “Tenho certeza que a população estará bem representada com esses dois homens".

Um dia depois de anunciar apoio aos candidatos, Jerominho realizou uma reunião aberta ao público na casa em que ele morava em Campo Grande, com ambos. Fotos do encontro, lotado, foram postadas nas redes sociais do ex-vereador.

Fundador do maior grupo miliciano do estado, Jerominho foi alvo de um ataque na frente do centro social que mantém, na Estrada Guandu do Sapê. Ele foi socorrido para o Hospital Oeste D'or, mas não resistiu. O cunhado de Jerominho, identificado como Mauricio Raul Atallah, que o acompanhava na ocasião, também foi baleado e socorrido pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Rocha Faria. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, até a noite de ontem, ele seguia internado em estado grave.

Jerominho foi baleado por três homens encapuzados e armados com fuzis que saltaram de um Cobalt pouco antes das 16h. Imagens de câmeras de segurança da região, que já foram apreendidas pela Polícia Civil, mostram que a ação durou 10 segundos. Quando foi baleado, Jerominho havia acabado de sair de seu centro social, acompanhado pelo cunhado.

Vida Política

Jerominho teve dois mandatos como vereador do Rio entre 2001 e 2008. Para o primeiro mandato foi eleito com 20.560 votos e no segundo, recebeu 33.373. Em 2017, o segundo mandato do ex-vereador foi interrompido. Ele foi preso, acusado de envolvimento com milícias.

Na Câmara do Rio, Jerominho negava ser miliciano. Mas, de uma maneira irônica, chegou a ir para o plenário com uma bolsa com dezenas de ovos de Páscoa com o símbolo do Batman, como era conhecido. O político é apontado pelas autoridades como o fundador da milícia Liga da Justiça, grupo criminoso acusado de praticar homicídios e cobrar taxas de moradores na Zona Oeste.

Acusação de extorsão: Ex-vereador Jerominho é preso no Rio em nova condenação

Defesa alegou que pena já havia sido cumprida: Juiz determina soltura de Jerominho após identificação de erro na prisão do ex-vereador

Jerominho é o segundo ex-vereador do Rio ligado a milícias que foi assassinado. Em 2009, Nadinho de Rio das Pedras, que não conseguiu se eleger, foi assassinado no condomínio Rio 2, na Barra da Tijuca.

Guerra interna na milícia

O assassinato de Jerominho acontece em meio a uma guerra interna na milícia que ele mesmo ajudou a fundar. No ano passado, após a morte do então chefe do grupo paramilitar, Wellington da Silva Braga, o Ecko, dois homens passaram a disputar a sucessão: Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, irmão de Ecko, que passou a controlar a milícia na Zona Oeste; e Danilo Dias Lima, o Tandera, ex-braço direito do antigo chefão, que hoje domina regiões da Baixada Fluminense controladas pelo bando. Desde junho do ano passado, ambos os grupos promovem ataques para tentar invadir áreas dos rivais e aumentar seus territórios.

A polícia investiga se o homicídio de Jerominho tem ligação com a guerra da milícia. No entanto, agentes que investigam o grupo criminoso afirmam que ele já não exercia mais um papel de chefia, apesar da forte influência e poder político que tinha em Campo Grande.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos