Jessica Córes teve que aprender a nadar para viver sereia em série: 'Corri atrás do prejuízo, não podia perder essa personagem'

Naiara Andrade
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Conta o folclore brasileiro que Iara é uma mulher metade humana, metade peixe, que seduz homens com o seu canto e os leva para as profundezas, na intenção de matá-los. Típica da região amazônica, a lenda originalmente retrata uma figura feminina com traços indígenas. Mas em “Cidade invisível”, série disponível na Netflix desde a última sexta-feira, a Mãe D’água é negra e tem a beleza de Jessica Córes.

— Achei lindo eu poder representar a versão contemporânea dessa história. Estou bem cansada de não ver atrizes pretas em papéis de destaque. A gente tem que naturalizar isso — celebra a atriz e modelo, de 30 anos, que estreou na TV em “Verdades secretas” (2015) como Lyris, uma das agenciadas pela Fanny Models, e que não deve voltar na segunda temporada da trama, neste ano: — Ela foi assassinada. Eu adoraria, mas acho que Walcyr (Carrasco, autor) não vai ressuscitá-la (risos).

Para o papel de sereia, Jessica precisou fazer aulas de natação e de dança oriental, a fim de desenhar o movimento sinuoso de seu corpo debaixo d’água.

— Eu não sabia nadar. Fiquei nervosa quando soube que precisaria, mas corri atrás do prejuízo. Não podia perder essa personagem tão especial. Tive muito amor ao construí-la — conta ela, que também solta a bela voz em cena: — Camila, a versão humana de Iara, é cantora na região da Lapa.

O Cafofo, onde a moça se apresenta, é onde vive Cuca/Inês (Alessandra Negrini), a dona da caverna, ou melhor, do bar. Ela é a protetora de todo os seres mitológicos. Já Camila faz a ponte entre o mundo visível e o subterrâneo, ajudando o detetive Eric (Marco Pigossi) a desvendar a morte da mulher dele, Gabriela (Julia Konrad).

— Carlos Saldanha (criador da série) brincava no set, quando alguma coisa sumia, que era culpa do Saci! Eu me amarro nessa coisa lúdica! Ainda criança, me divertia com essas histórias folclóricas — lembra ela, nascida em Magé, na Baixada Fluminense, e adotada aos 5 anos por uma advogada de ascendência europeia, de quem herdou o sobrenome diferente: — Eu assinava Jessica Monteiro. Mas é tão batido! Com todo respeito. Aí resolvi usar Córes, para homenagear minha mãe. É como se chamava, também, um rio da Espanha que secou, não existe mais.