Jesuíta Barbosa recusa estigma de celebridade: 'Dignidade sobre minha inteligência'

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O ator Jesuíta Barbosa em na divulgação de "Verão 90", sua última novela na Globo

Jesuíta Barbosa tem meio milhão de seguidores no Instagram, já fez novelas e séries na TV Globo, filmes premiados e muitas peças de teatro. Nada disso, porém, faz com que ele aceite o estigma de celebridade. Como isso é possível? Ele responde em poucas palavras: "Mantendo alguma dignidade sobre minha inteligência e minhas escolhas".

Ao que tudo indica, o ator de 28 anos está mais focado em se entregar aos personagens. Atualmente, ele está em cartaz no Rio com o musical "Lazarus", no Teatro Multiplan, no VillageMall. Na montagem, ele vive Thomas Newton, um alienígena que desembarca na Terra com o objetivo de salvá-la e, assim como o seu planeta, Anthea, ameaçado de extinção.

Para dar vida ao personagem, Jesuíta mostra toda a sua versatilidade num espetáculo que exige tanto de sua preparação vocal quanto de sua destreza para lidar com um palco que se movimenta durante boa parte do espetáculo, em meio a projeções. Uma complexidade que já lhe rendeu até um machucado no joelho, como ele conta no bate-papo abaixo:

"Lazarus" soa como uma experiência especialmente imersiva. A peça tem provocado mudanças sobre a sua personalidade ou a forma como enxerga a vida?

O teatro é um organismo vivo, se modifica a partir de várias ações, reage de formas diversas. É mesmo uma projeção do mistério de estar vivo, de pensar e existir. Esse espetáculo em particular é formulado por uma ideia bastante performática. Por isso, se modifica todos os dias, provoca mudanças e assim eu prefiro ver a vida: eterna mutação, eternas tentativas, acidentes, perdas e conquistas.

As experiências de vida de um ator famoso como você se assemelham, de alguma maneira, às de Thomas Newton?

Eu tenho me questionado sobre as grandezas de ser um corpo atuante, representando, de me desfigurar para aparecer, de doação. Sinto algum desgaste por essas mudanças físicas e psicológicas, assim como Newton sente com a atuação do mundo dos homens sobre ele, estrangeiro.

Você postou, recentemente, uma foto de cueca no Instagram. O que você acha que mudaria em nossa sociedade se passássemos a lidar melhor com os diferentes corpos e com a nudez?

A nudez é uma das premissas para a liberdade do corpo, é muito importante dar liberdade aos corpos, só assim começamos a ganhar como indivíduos e, posteriormente, como coletivo. A liberdade entrega inteligência ao homem, digo a liberdade como bem-estar coletivo, como potencial para a vida em comunhão, como entendimento de individualidades, de diferenças. O Estado tenta nos tirar esse conforto porque existe uma questão econômica muito forte envolvida, uma ideia de ordem capitalista que já não vai nada bem. Este sistema já ruiu.

Aliás, aparentemente, você está com o joelho machucado nessa foto. Tem a ver com o seu movimento corporal na peça? Você "se joga" no chão algumas vezes em cena.

São muitas quedas durante a peça. Uso uma joelheira, mas ainda assim acaba machucando um pouco.

É difícil atuar sobre uma plataforma em movimento? Qual a maior dificuldade?

A dificuldade maior do espetáculo é a de visualização dentro do palco, porque as luzes são muito fortes. Então, a atenção tem de se redobrar. Mas a repetição nos dá boa técnica.

Você já disse que não tem interesse em ser uma celebridade. Por que essa preocupação? Como consegue se manter livre desse estigma?

Mantendo alguma dignidade sobre minha inteligência e minhas escolhas.

Tem previsão de volta à TV?

Tem um projeto dirigido por José Eduardo Belmonte, “O Auto da Mentira” (histórias e causos contatos por Ariano Suassuna) no qual faço uma participação. Agora, começo a trabalhar numa série de ficção chamada “Mal Secreto”, em São Paulo.