Jet ski, vacinação infantil postergada e guerra de hashtags: as férias de Bolsonaro longe das enchentes na Bahia

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O presidente Jair Bolsonaro chega hoje ao seu oitavo dia de férias no litoral de Santa Catarina, onde desembarcou na segunda-feira da semana passada. A previsão do Palácio do Planalto era que o presidente só retornasse a Brasília nesta terça-feira, mas Bolsonaro foi internado na madrugada desta segunda-feira no Hospital Nova Star, em São Paulo, devido a uma nova suspeita de obstrução intestinal.

No domingo, mais uma vez, o presidente passou de moto aquática no mar catarinense, e usou as redes sociais para propagandear ações do governo.

Durante esse período de férias, Bolsonaro não visitou nenhuma vez as áreas do país atingidas pelas chuvas de dezembro, sobretudo o Sul da Bahia, onde morreram 25 pessoas e 32.594 estão desabrigadas. A decisão de não interromper o descanso enquanto parte da população sofre com as enchentes gerou incômodos dentro do próprio governo, entre aliados do presidente. Em contrapartida, seus auxiliares argumentam que, mesmo de férias, Bolsonaro tem se envolvido nas decisões relacionadas a essas regiões e autorizados as ações de socorro.

Além disso, o governo ainda retarda o início da vacinação infantil no país, recomendada por órgãos sanitários internacionais e pela Anvisa. O Ministério da Saúde vinha alegando querer esperar o resultado de uma consulta pública sobre o tema em seu seite, que terminaria ontem — sobre o assunto, Bolsonaro chegou a declarar durante as férias que não deixaria sua filha Laura, de 11 anos, se vacinar.

A permanência do presidente no Sul do país deflagrou uma verdadeira guerra virtual nas redes sociais. Críticos e apoiadores de Bolsonaro tem travado batalhas diárias em torno do assunto. No primeiro dia de 2022, bolsonaristas e opositores voltaram a protagonizar uma disputa de hashtags no Twitter. O #TicTacBolsonaro, lançado por pessoas contrárias ao governo, dividiu espaço com o #BolsonaroAte2026, elaborado por eleitores que defendem a reeleição do chefe do Executivo. De um lado, internautas estão compartilhando uma contagem regressiva para o fim do mandato do titular do Palácio do Planalto, enquanto seus apoiadores pregam a permanência dele no poder por mais quatro anos, após a eleição de 2022.

Nesse domingo, o presidente pediu no Twitter que seus seguidores passem a acompanhá-lo também no Gettr, rede social fundada pelo ex-assessor do ex-presidente americano Donald Trump Jason Miller, e conhecida por ter regras menos rígidas de controle de conteúdo e combate à desinformação.

Embora tenha evitado declarações públicas sobre as enchentes que assolam a Bahia, Bolsonaro usou as redes sociais para divulgar ações do governo federal, como o envio de donativos e a presença de membros das Forças Armadas, para os municípios atingidos. Em resposta às críticas de que ignorou a tragédia, Bolsonaro tem publicado que está “relembrando periodicamente” as ações federais. Ele também usou as redes para publicar seus passeios de férias em São Francisco do Sul. Nos registros, Bolsonaro visitou uma senhora identificada como “Zilah”, de 95 anos, comeu pastel e caldo de cana na rua, cortou o cabelo e apostou na Mega-Sena da virada.

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