Jiboia Velho do Rio é resgatada em Nova Iguaçu

Apelidada de Velho do Rio, uma jiboia de quase quatro metros, pesando cerca de 17 quilos, foi encontrada descansando após fazer uma refeição em um sítio, em Cabuçu, em Nova Iguaçu, no último dia 12 de maio. Ainda no mesmo mês, um filhote de jacaré da espécie papo-amarelo teve seu sono interrompido por uma retroescavadeira, que ao fazer a limpeza em um rio, acabou retirando o réptil acidentalmente da água, no bairro Marambaia. Já um gambá foi localizado em fio de alta tensão em uma rua do Centro do município, no dia 29 de abril. Os resgates citados não foram casos isolados. Só nos últimos 11 meses, 374 animais silvestres, incluindo ainda capivaras e preguiças, foram encontrados fora do seu habitat natural ou em áreas urbanas nos municípios de Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Magé.

As três cidades são cortadas por matas, parte de serras, e áreas de proteção ambiental (Apas). Em Magé, desde o início do ano, foram resgatados 28 animais, incluindo uma preguiça. Localizado por moradores em uma das ruas de Pau Grande, bairro onde nasceu Mané Garrincha, o bicho foi resgatado e devolvido à natureza em uma área de proteção ambiental.

Em Nova Iguaçu, onde 50% do território é coberto por trechos de florestas e que conta com oito Apas municipais e um parque municipal, 117 animais foram resgatados entre janeiro e março pela Guarda Ambiental. As estatísticas não incluem a jiboia, que necessitou da mobilização de quatro homens no resgate, um filhote de jacaré e o gambá, todos já citados no início deste texto.
— Os animais em boas condições de saúde foram devolvidos à natureza, em áreas de preservação, como foi feito no caso da jiboia. Já os que precisaram de algum tipo de cuidado foram levados para o Centro de Triagem de Seropédica. Contamos, desde 2018, com 24 agentes concursados da Guarda Ambiental. Eles usam três picapes e equipamentos específicos como laços nos resgates. Este tipo de serviço é feito diariamente, inclusive em sábados, domingos e feriados. Em caso de necessidade, a população pode acionar uma ação de resgate pelo endereço eletrônico desenvolvimento@novaiguacu.rj.gov.br — explicou Fernando Cid, secretário de Meio Ambiente de Nova Iguaçu.

Já em Duque de Caxias, nos últimos 11 meses, homens da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal resgataram 226 animais. A maior parte foi encaminhada para o Centro de Triagem de Seropédica. Do total encontrado em área urbana, 70 foram devolvidos à natureza e outros dez morreram.
Para Jeferson Pires, médico-veterinário, docente, e responsável pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Universidade Estácio de Sá, que funciona em Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio, o aparecimento de animais silvestres em áreas urbanas é resultado de uma mescla de fatores, como procura por alimentação e tentativa de expansão em novas áreas.
— Recebemos aqui no Cras apenas animais resgatadas em áreas urbanas do estado. Nenhum dos mais de mil que estão aqui vieram de apreensões ou de tráfico de animais. O que posso dizer é que as cidades (Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Magé) tem áreas de mata mescladas com áreas urbanas. Alguns animais utilizam áreas urbanas como abrigo ou fruto de dispersões ( quando integrantes de um bando procuram novos espaços). Como o entorno do local onde vivem é área urbana, eles acabam entrando em casas — disse.

Jeferson Pires também recomendou que, em casos de surgimento de um animal sivestre em áreas urbanas, o ideal é que a população não incomode o bicho. E que, em seguida, chame o resgate de uma patrulha ambiental ou algum órgão ligado ao meio ambiente.
— O ideal é deixar o bicho ir embora sozinho e evitar contato. Se isto não acontecer, é melhor ligar e chamar a patrulha ambiental ou algum tipo de resgate — concluiu.

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