Comissão da ONU documentou 25 ataques químicos na Síria desde 2013

Genebra, 10 abr (EFE).- A Comissão de Investigação da ONU sobre os crimes cometidos na Síria já investigou e documentou, entre 2013 e o início de abril deste ano, 25 ataques com armas químicas no país árabe, embora não tenha conseguido informar sobre todos os incidentes deste tipo desde o início do conflito.

A lista reúne os incidentes com este tipo de armas que a Comissão conseguiu investigar e juntar as provas necessárias para poder informar sobre tais ataques publicamente.

A Comissão ainda não incluiu na lista o incidente na semana passada em Khan Sheikhoun, na província de Idlib, no qual morreram pelo menos 84 pessoas e outras 546 ficaram feridas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Não obstante, a Comissão informou na semana passada que estava investigando as circunstâncias do ataque, e disse ser "imperativo" que sejam julgados os autores deste suposto "crime de guerra", como qualificou o organismo multilateral.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) trabalha atualmente na Síria para investigar o ataque.

Os primeiros ataques da lista da Comissão de Investigação sobre a Síria - estabelecida em agosto 2011 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU - são os ocorridos em 19 de março de 2013 em Khan al Asal (Alepo) e em Uteibah (Damasco).

Já o incidente em 30 de janeiro deste ano em Ghouta oriental é o último documentado pela Comissão da ONU.

No primeiro caso, os autores dos ataques são descritos como "desconhecidos". No segundo, as forças do Exército sírio são apontadas como responsáveis.

Dos 25 ataques com armas químicas documentados pela Comissão até a data de 7 de abril deste ano, 19 são atribuídos às forças governamentais e em seis aos autores são desconhecidos.

Nos ataques foram utilizados gás cloro e gás sarín, de acordo com as circunstâncias descritas pela Comissão.

A Comissão tem a incumbência de investigar todas as supostas violações de Direitos Humanos que ocorrem na Síria desde março de 2011 e de esclarecer os fatos e as circunstâncias dos abusos e crimes cometidos e, quando possível, identificar os responsáveis para que tenham que prestar contas.

O alto comissionado da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, e seu escritório estão, além disso, imersos na implementação de um mecanismo internacional, imparcial e independente, que trabalhará junto com a Comissão de Investigação para "reunir e analisar provas e preparar relatórios detalhados de suspeitos individuais para criar a base para processos penais" contra eles. EFE