Jiu-jítsu para ela é só lazer: Karla Gracie faz carreira como cantora de trap

Membro da família responsável por difundir o jiu-jítsu mundialmente, Karla Gracie, de 28 anos, foi criada no tatame e é faixa roxa. Mas, da modalidade, garante que leva apenas os aprendizados: foco, disciplina e paciência. Apesar do desejo dos pais de que desse seguimento ao legado da luta, ela optou pelo universo da música, tornando-se cantora e compositora de trap, uma vertente do rap, em 2019. Após três anos numa carreira independente, a artista, que prioriza o empoderamento feminina em suas letras, assinou, este mês, com a gravadora Som Livre.

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— Música é algo que eu amo desde criancinha. Sempre tive muita vontade de ser cantora. Nos encontros de família, eu costumava fingir que me apresentava num show. E fui me preparando para ser uma artista. Fiz aula de canto, piano e dança e, ao longo do tempo, fui intensificando os estudos na área. Até que consegui ingressar na faculdade de arranjo da Unirio. Fiquei muito feliz, porque não conseguia me ver fazendo outra coisa. Agora, estou ainda mais animada com essa nova conquista, que vai me colocar em outro patamar como artista — diz Karla, que é moradora da Barra. — Meus pais (Karla Gracie e Pierino De Angelis) acreditavam que música não daria dinheiro, mas agora que as portas começaram a se abrir, eles super me apoiam.

Se a certeza de que seria cantora se estabeleceu logo cedo, o mesmo não aconteceu em relação a que gênero musical daria voz. Embora tenha se apaixonado pelo rap aos 10 anos, ao ouvir Tupac Shakur, considerado um dos maiores rappers da história, ela conta que, por ser eclética, decidiu pelo ritmo já adulta:

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— Percebi que o hip hop é um estilo que bate mais forte em mim e que faz minha alma vibrar. Tomei coragem e falei: “É isso que eu quero!”. Na pandemia, o trap, que é mais melódico, ganhou força e, agora, é a ele que tenho me dedicado. Algumas das minhas referências são a americana DaniLeigh, que está super em alta e tem o estilo próximo do meu, e os rappers Matuê, Xamã e Froid.

Em maio, a cantora lançou o single “Completa meu flow”, composto e interpretado em parceria com Gaab, filho do cantor Rodriguinho (ex-vocalista do grupo Os Travessos), que foi produtor musical da artista por três anos. A música conta a história de um casal separado pelo destino, mas que acredita que o amor irá uni-los novamente.

— Cheguei ao Rodriguinho de uma forma muito curiosa. Eu estava na casa de uma amiga e chegou um desconhecido que perguntou o que eu fazia. Respondi: “Eu canto”. Ele falou: "Canta aí, então!". Cantei, ele gostou e falou que tinha uma pessoa para me apresentar. Ligou para o Rodriguinho e marcou um encontro nosso. Fui ao estúdio dele em São Paulo mostrar o meu trabalho, ele acreditou em mim e construímos essa parceria. Eu sempre via o Gaab lá quando ia gravar, até que o convidei para esse projeto e ele super topou — conta.

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Karla se lançou com as faixas “Salto 15” e “Bonnie & Clyde”. Em seguida, vieram, acompanhadas de videoclipes, as músicas “Moletom”, “Química explosiva” e “Sugar mamma”.

— Sempre usei muito a composição como válvula de escape dos meus sentimentos. Acho que a arte é muito abrangente, mas um assunto em que eu foco muito é o feminismo. Fomos oprimidas por muitos anos. A situação melhorou, mas o inconsciente social ainda é muito machista. Entre as próprias mulheres existe essa história de competição. Mas a gente precisa se unir, para ter mais abertura e poder. E eu não vejo possibilidade disso sem a nossa própria união — opina.

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