JK, Tancredo, Lula e Bolsonaro: veja curiosidades das faixas presidenciais

A diferença entre as faixas presidenciais usadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) em suas respectivas cerimônias de posse foi um detalhe que não passou despercebido da internet, suscitando uma onda de fake news de que o adereço do petista seria uma "fraude". Ambas as faixas, no entanto, são autênticas. As duas são umas das várias já feitas ao longo de 100 anos de história. Saiba mais curiosidades sobre as faixas presidenciais abaixo:

'Governo Bolsonaro anuncia': ex-presidente faz post como se estivesse em exercício

Leia mais: Entenda por que a faixa presidencial exibida na posse de Lula é diferente da usada por Bolsonaro

Tradição de 100 anos

A tradição da faixa presidencial existe há cerca de 100 anos, tendo sido instaurada pelo presidente marechal Hermes da Fonseca, em 1910. O decreto 2.229 foi assinado pelo militar em 21 de dezembro daquele ano.

O texto estipulava as características do adereço, "cuja largura será de 15 centímetros, terminará em franjas de ouro de dez centímetros de largo e suportará, pendente do porto de cruzamento das suas extremidades, uma medalha de ouro".

A passagem da faixa entre o presidente que sai do cargo e o que assume foi também determinada por decreto. De autoria do presidente Emílio Garrastazu Médici, o terceiro da ditadura militar, o texto diz em seu capítulo II: "O presidente da República receberá de seu antecessor a faixa presidencial. Em seguida, o presidente da República conduzirá o ex-presidente até a porta principal do Palácio do Planalto".

O decreto, no entanto, não determina que a passagem deva ser obrigatória, nem estabelece uma sanção em caso de descumprimento.

Mais de uma faixa

Ao longo desse um século de história, mais de uma faixa presidencial chegou a ser confeccionada para os presidentes brasileiros. Não há, no entanto, um controle da quantidade de adereços do gênero feita.

A faixa usada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)neste domingo, por exemplo, foi adquirida por Fernando Collor em 1991, uma versão idêntica à anterior, que vinha em uso desde a ditadura. O petista usou o mesmo adereço nas outras vezez em que foi empossado:

Já a faixa utilizada por Jair Bolsonaro (PL) em primeiro de janeiro de 2019 foi encomendada no início do primeiro mandato do petista, em 2003. A compra só foi concluída em 2007, após idas e vindas e críticas ao preço do item, que acabou saindo por R$ 55 mil nos valores da época.

Antes de Bolsonaro, esse modelo mais novo de faixa presidencial foi usado pela primeira vez em 2011, na posse da petista Dilma Rousseff.

Atualmente, os dois adornos, o antigo e o mais recente, são mantidos dentro de um cofre durante quase todo ano, saindo somente, via de regra, para as solenidades do Dia da Independência (além, claro, das passagens de gestão a cada quadriênio).

Presidentes que não passaram a faixa

Desde a redemocratização, apenas cinco dos oitos presidentes receberam a faixa de seus antecessores.

O último presidente da ditadura militar, João Figueiredo, se recusou a comparecer a cerimônia de posse de José Sarney, primeiro civil a ocupar o cargo em 21 anos.

Vice de Fernando Collor, Itamar Franco também não recebeu a faixa de seu antecessor, uma vez que assumiu em função de um impeachment. O mesmo se repetiu com Michel Temer, que tomou posse após Dilma Rousseff ser impichada.

Na posse deste ano, Jair Bolsonaro também não esteve presente para passar a faixa ao seu sucessor. O ex-presidente deixou o país na véspera da cerimônia e passou a virada de ano em Orlando, na casa do lutador José Aldo.

Desaparecimento

Durante o primeiro mandato de Dilma o adereço encomendado por Lula chegou a ser dado como desaparecido. Em 2015, a nova faixa não foi encontrada a tempo pelo cerimonial do Planalto, e a petista tomou posse em seu segundo mandato com a antiga versão do adereço.

A nova faixa acabou sendo encontrada, mas incompleta. Ela estava sem o broche de ouro e algumas pedras de diamante faltando. Uma sindicância interna foi aberta para investigar o sumiço das joias, mas elas acabaram encontradas em um armário do Planalto.

O destino de outras faixas

Apesar de não existir um registro exato da quantidade de faixas feitas ao longo da história, os paradeiros de algumas delas são conhecidos. O adereço encomendado por Juscelino Kubitscheck, por exemplo, encontra-se exposto no Memorial JK, em Brasília.

Outra foi feita especialmente para ser enterrada junto com Tancredo Neves, como conta José Sarney, que assumiu a Presidência no lugar do político morto em 1985.

Lenda urbana

Uma antiga história do folclore político brasileiro dá conta de que, depois que João Goulart foi derrubado pelo golpe militar, em 1964, Leonel Brizola, cunhado de Jango, fugiu para o exílio no exterior levando consigo o adereço. A lenda acrescenta que o fundador do PDT teria guardado o item até morrer, em 2004, na esperança de que, um dia, ele próprio viesse a usá-la. Mas Brizola, que disputou a Presidência duas vezes (1989 e 1994), desmentiu o relato em mais de uma ocasião.