João Doria com a bandeira da China? Saiba quais notícias falsas circularam nesta eleição

Sérgio Matsuura
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João Doria vestindo máscara com a bandeira da China? Voto não contabilizado por causa da não entrega do comprovante? Eleitor que não consegue votar em determinado candidato? Como esperado, as notícias falsas retornaram nesta eleição, mas, de acordo com especialistas, de forma “esporádica e desconexa”, não organizadas como no pleito de 2018, conforme mostrou Sonar.

— Nos dois turnos em 2018 fizemos 262 textos sobre notícias falsas. Neste ano, até o primeiro turno, foram 25 — conta Edgard Matsuki, criador do site Boatos.org. — Não se compara a 2018. E vou além, nem a 2016 e 2014. Uma das explicações, diz Matsuki, está no caráter regionalizado desta eleição. Por ser municipal, as discussões acontecem em grupos menores, e acabam “não rompendo barreiras”. Além disso, existem outros temas disputando a atenção das redes de desinformação.

— Para se ter uma ideia, neste instante estamos produzindo dois textos relacionados à pandemia. Nos últimos dias tivemos mais notícias falsas sobre as eleições nos EUA do que no Brasil — afirma o jornalista.

— Mas é importante uma ressalva: as principais fake news sobre o pleito nos EUA surgiram durante a apuração. Nos resta conferir como será depois da divulgação dos resultados por aqui. Mas apesar do menor volume, as notícias falsas circularam durante a eleição. Marco Faustino, jornalista e editor-chefe do site E-Farsas, destaca uma montagem com uma foto do governador de São Paulo, João Doria, vestindo uma máscara com a bandeira da China.

— Essa foto se espalhou de forma considerável, e isso é interessante porque não está relacionada à desinformação do processo eleitoral em si — diz Faustino. — Ela serviu de munição para ataques à "vacina chinesa".

Além da foto de Doria, Faustino destaca uma lista antiga de locais de votação que circulou no Rio Grande do Sul, teorias conspiratórias sobre as falhas no aplicativo e-Título e ataques hackers ao TSE, e a história de uma eleitora no Rio de Janeiro que alegava não conseguir votar em um candidato.

— A pauta das eleições de 2020 parece refletir o clima político que vimos até então. Ataques a figuras políticas, China e a lisura do processo eleitoral, especificamente questionando a segurança das urnas eletrônicas — diz Faustino.

Para os especialistas, a estrutura montada pelos órgãos eleitorais e pelas empresas que controlam as redes sociais parece estar dando resultado. O Tribunal Superior Eleitoral veiculou campanhas educativas sobre o tema. E foi criada uma coalizão reunindo veículos de imprensa e agências de checagem. As informações desmentidas são reunidas no site Fato ou Boato (https://www.justicaeleitoral.jus.br/fato-ou-boato/).

— De modo geral, essa estrutura foi bem eficiente. O caminho é esse, realizar parcerias, buscar apoio de plataformas e de pessoas que lidam diariamente com a desinformação — conclui Faustino.