Joe Biden continua mais perto da Casa Branca

Charlotte PLANTIVE, Elodie CUZIN avec Peter HUTCHISON à Wilmington
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O candidato democrata Joe Biden em Wilmington, em 6 de novembro de 2020

Joe Biden continua mais perto da Casa Branca

O candidato democrata Joe Biden em Wilmington, em 6 de novembro de 2020

Joe Biden estava muito perto, neste sábado (7), de conquistar o lugar de Donald Trump na Casa Branca, mesmo que o anúncio do vencedor continue em suspenso, à espera da contagem de votos em um punhado de estados-chave.

O presidente republicano ainda parece relutante em aceitar uma potencial derrota. Em uma série de tuítes matinais, imediatamente apontados como "enganosos" pela rede social, ele voltou a mencionar, sem provas, "dezenas de milhares de votos recebidos ilegalmente" e uma falta "grosseira" de transparência na contagem.

Trump foi a seu clube de golfe em Sterling, Virgínia, esta manhã, em sua primeira saída desde o dia da eleição na terça-feira.

Em um primeiro momento, Donald Trump esteve à frente na Pensilvânia e na Geórgia, antes de ser ultrapassado por seu rival, a medida que as cédulas enviadas pelo correio, método popular entre os democratas, eram contabilizadas.

"Os números oferecem um quadro claro e convincente: vamos vencer esta eleição", concluiu, confiante, o ex-vice-presidente de Barack Obama, em discurso na sexta-feira à noite em seu reduto de Wilmington.

"Estamos a caminho de ganhar 300 grandes eleitores", acrescentou. Esse montante seria muito mais do que o "número mágico" de 270 - a maioria do Colégio Eleitoral - abrindo as portas da Casa Branca.

Mas as margens permanecem muito pequenas em cinco estados - Pensilvânia, Geórgia, Nevada, Arizona e Carolina do Norte - e nenhuma grande mídia ainda ousou anunciar um vencedor.

Essa espera interminável alimenta tensões no país, com manifestações de apoiadores dos candidatos, principalmente em torno dos centros de contagem. 

Nas grandes cidades, os comércios instalaram tapumes prevendo uma possível violência pós-eleitoral.

- "Bananas verdes" -

Donald Trump lançou uma ofensiva jurídica e na mídia para lançar dúvidas sobre a validade dos resultados. 

Na sexta, não falou publicamente, mas ameaçou em um tuíte de lutar até o fim: "os processos judiciais estão apenas começando!" 

Fiel à sua estratégia de apaziguamento, seu rival pediu aos americanos paciência, após uma campanha muito agressiva. "É hora de nos unirmos", disse. “Temos que superar a raiva”. 

Com quase 29.000 votos a mais, Joe Biden, de 77 anos, lidera agora a Pensilvânia, um estado importante que, com seus 20 grandes eleitores, poderia permitir que ele cruze a linha de chegada como vencedor.

Se ele vencer neste estado industrial, vai se tornar o 46º presidente americano, independentemente do resultado da votação em outros lugares.

Neste sábado, seu campo especulava sobre um anúncio rápido nesse sentido.

"Feliz sábado! É hoje", tuítou Rufus Gifford, chefe de sua campanha.

O vice-governador da Pensilvânia, John Fetterman, um democrata, aconselhou os advogados do presidente que foram a seu estado para monitorar a contagem para não "comprar bananas verdes" porque "não durariam muito".

- Recontagem na Geórgia -

Na sexta-feira de manhã, a contagem na Geórgia, onde nenhum democrata venceu desde 1992, também mudou em favor de Joe Biden. Mas a margem é tão "apertada" que haverá uma nova contagem de votos. 

O contador, portanto, segue bloqueado: 253 ou 264 grandes eleitores para Joe Biden, dependendo se a mídia atribui ou não o Arizona a ele, e 214 para Donald Trump.

Outro golpe para o presidente: seu chefe de gabinete, Mark Meadows, testou positivo para covid-19, assim como cinco outros funcionários da Casa Branca, segundo a imprensa americana.

O vírus, que matou mais de 236.000 pessoas nos Estados Unidos, envenenou a campanha de Donald Trump, minando seu histórico e chegando a infectar ele e sua esposa Melania.

Apesar das pesquisas que previam a inclinação de certas fortalezas republicanas, Donald Trump venceu na Flórida e no Texas, e as autoridades eleitas do partido parecem preparadas para manter o Senado. Eles até conseguiram diminuir a vantagem democrata na Câmara de Representantes.

No entanto, o partido parece dividido sobre a atitude a adotar diante das acusações de fraude eleitoral brandidas por Donald Trump.

"Posso dizer que o presidente está com raiva, eu estou com raiva e os eleitores deveriam estar com raiva", disse o senador Ted Cruz. 

“Não ouvimos falar de nenhuma evidência”, ressaltou por outro lado Chris Christie, ex-governador de Nova Jersey e aliado do presidente, alertando para o risco de aumentar as tensões.

O conservador Wall Street Journal estimou que o presidente teria que "admitir a derrota com dignidade" se Joe Biden for declarado o vencedor. 

"O histórico de Trump seria marcadamente prejudicado se sua última ação fosse se recusar a reconhecer uma derrota legítima", escreveram seus colunistas.

O presidente havia dito na primeira noite pós-eleitoral que vencera a votação e que acionaria a Suprema Corte, permanecendo evasivo quanto aos motivos.

Seus advogados iniciaram várias ações judiciais em nível estadual. 

Os democratas estimam que as queixas são infundadas, mas esses recursos podem atrasar a validação dos resultados por dias ou semanas.

bur-chp/la/mr