Joe Biden e presidente chinês Xi Jinping marcam território durante longa conversa

Jerome CARTILLIER
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O então vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, brinda com o presidente chinês Xi Jinping em Washington, em 25 de setembro de 2015

A primeira conversa era algo muito esperado: o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e seu colega chinês, Xi Jinping, iniciaram sua nova relação com um longo telefonema no qual cada um quis marcar seu território.

"Ontem [quarta-feira, 10] à noite, passei duas horas sem interrupção ao telefone com Xi Jinping", anunciou nesta quinta-feira (11) o novo inquilino da Casa Branca no Salão Oval, mostrando sua vontade de ser firme diante de Pequim.

"Se não fizermos nada, eles nos esmagarão", acrescentou no final deste diálogo incomumente longo para os líderes das duas primeiras potências mundiais.

Hong Kong, Taiwan, a minoria muçulmana uigur: de acordo com o resumo do Executivo americano, Joe Biden foi muito mais objetivo nas questões sensíveis da atualidade, expressando suas "profundas preocupações" sobre a questão dos Direitos Humanos.

E, conforme o planejado, a resposta do homem forte de Pequim foi firme.

Segundo a mídia estatal chinesa, Xi convidou seu homólogo americano a ficar longe das questões que envolvem a "soberania da China e sua integridade territorial".

"Os Estados Unidos devem respeitar os interesses fundamentais da China e agir com prudência", ressaltaram.

Desde que chegou ao poder, Biden e sua equipe multiplicaram as advertências sobre a questão dos uigures.

De acordo com especialistas, mais de um milhão de pessoas dessa minoria muçulmana estão sendo mantidos presos em campos de reeducação política em Xinjiang.

Esta vasta região semidesértica, que faz fronteira com o Paquistão e o Afeganistão, está sob forte vigilância policial.

Pequim rejeita o termo "acampamentos" e assegura que trata-se de centros de formação vocacional, destinados a fornecer emprego para a população e manter o extremismo religioso sob controle.

- Dever, sem mudanças -

Já em uma retórica mais proximidade do que a do governo anterior, Biden denunciou também durante a chamada telefônica as práticas econômicas "injustas e coercitivas" de Pequim, segundo a Casa Branca.

Ainda que Biden tenha mostrado claramente sua disposição de se distanciar da política externa de Donald Trump, a relação comercial com a China é uma das poucas questões onde ele poderia promover alguma continuidade em relação a seu antecessor.

Uma autoridade do governo americano, que falou anonimamente, ressaltou que a nova equipe concorda com a anterior em continuar a enfrentar Pequim no âmbito da "competição estratégica" entre as duas potências.

Acrescentou, porém, que "problemas reais" foram identificados na forma como o governo Trump o abordou.

Este funcionário reafirmou na quarta-feira que, por exemplo, as tarifas impostas pelo governo Trump sobre os produtos chineses serão mantidas por enquanto, enquanto se aguarda uma revisão global da estratégia comercial dos Estados Unidos.

"Não tomamos uma decisão sobre esse assunto", disse. "Haverá mudanças em nossa política comercial em relação à China, mas não serão imediatas e, enquanto isso, não iremos eliminar tarifas", acrescentou, destacando a vontade da Casa Branca em desenvolver essa estratégia "em linha com seus aliados".

Em entrevista transmitida neste domingo pela CBS, Biden alertou que a rivalidade entre China e Estados Unidos se transformará em "competição extrema", ao mesmo tempo em que disse que quer evitar um "conflito" entre os dois países.

Questionado sobre o presidente chinês, Biden disse: "Ele não tem, e não quero dizer isso como uma crítica, mas é uma realidade, um único osso democrático em seu corpo."

"Não vou fazer do jeito que (Donald) Trump fez. Vamos nos concentrar nas regras internacionais", acrescentou, destacando conhecer bem Xi por ter tido longas conversas privadas com ele quando foi vice-presidente de Barack Obama entre 2009 e 2017.

Durante esta primeira chamada, Joe Biden teve um tratamento mais pragmático sobre as questões climáticas, por exemplo, assunto negligenciado por seu antecessor.

De acordo com a autoridade americana, que falou antes da ligação entre os líderes, Joe Biden não pretendia discutir um possível boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno agendados para Pequim em 2022.

No início de fevereiro, legisladores americanos apresentaram ao Senado um projeto de resolução para pedir ao Comitê Olímpico Internacional que retirasse da China a organização dos Jogos, como consequência de "suas flagrantes violações aos Direitos Humanos".

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