Joe Biden acusa Rússia de "violar sem vergonha a Carta da ONU"

Esperava-se um forte ataque de Joe Biden a Vladimir Putin na Assembleia Geral da ONU e o Presidente dos Estados Unidos não desiludiu. No seu discurso abordou os principais problemas da Humanidade, como as alterações climáticas ou a insegurança alimentar, mas o principal alvo foi o Kremlin:

"Um membro permanente do Conselho de Segurança tentou varrer um país do mapa. Ainda hoje fez ameaças nucleares à Europa e agora chama mais soldados, enquanto o Kremlin organiza referendos fictícios".

Para o líder norte-americano estão em causa as fundações da ONU, uma vez que "aRússia violou sem vergonha os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas". A solução, de acordo com Biden, passa por uma reforma da organização criada em 1945, em plena ressaca da II Guerra Mundial:

"Os membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo os EUA, devem defender e apoiar de forma consistente a Carta das Nações Unidas e limitar o uso do direito de veto - exceto em situações raras e extraordinárias - para garantir que o Conselho se mantém credível e eficaz. É por isso que os EUA apoiam o aumento no número de membros do Conselho, quer permanentes, quer temporários".

Joe Biden afirmou ainda que "Putin alega que tinha de agir porque a Rússia se sentia ameaçada. Mas ninguém ameaçou a Rússia", afirmou.

A crescente tensão entre Washington e Pequim também não foi esquecida, com o líder dos Estados Unidos a deixar bem claro que o seu país "não procura conflitos nem uma guerra fria e não exige que nenhum país escolha entre os EUA ou qualquer outro parceiro". Sublinha, no entanto, que não abdicam de promover a sua "visão de um mundo livre, aberto, seguro e próspero".

Em matéria de segurança alimentar, o presidente norte-americano anunciou um pacote de 2,9 mil milhões de dólares de assistência, dois quais 2 mil milhões através da agência USAID, e 220 milhões em programas de alimentação escolar em África e na Ásia Oriental.

No que diz respeito às alterações climáticas, Biden disse que os acontecimentos do último ano provaram que é urgente agir e lembrou que a sua administração tinha aprovado recentemente o maior pacote legislativo de sempre. Ainda assim, sublinhou que os esforços para usar fontes de energia limpas e renováveis tinham de ser globais, e não apenas norte-americanos.