Joe Biden já traça planos para um futuro governo e começa por estratégias de combate ao novo coronavírus

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Enquanto o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém a promessa de contestar o resultado das eleições americanas, mesmo sem apresentar qualquer prova de que teria havido fraude, Joe Biden pede calma aos seus eleitores e já começa a traçar planos de governo. O primeiro tema abordado com sua equipe foi justamente o assunto no qual seu adversário mais criou polêmica nos últimos meses: o combate ao novo coronavírus.

Os Estados Unidos são o país mais atingido pela Covid-19, com mais de 9,6 milhões de casos registrados e cerca de 235 mil mortes. Enquanto espera o resultado oficial da eleição, que indica para a sua vitória, Biden participou de uma reunião com especialistas, na tarde desta quinta-feira (5), para traçar estratégias de combate ao novo coronavírus, justamente quando o país voltou a ter mais de 100 mil diagnósticos confirmados da doença por dia. Outro sinal de que, na prática, o candidato começa a deixar a campanha para trás e passa a focar em ações para quando virar presidente é que, na quarta-feira, foi lançado pelos democratas um site da transição de governo.

Qual é a música, maestro?

A eleição americana virou uma novela e ainda não se sabe quando acontecerá o capítulo final. Mas se ela fosse transformada numa batalha musical, Donald Trump poderia apelar para o grande sucesso de Wanderléa na Jovem Guarda e soltar a voz cantando: “Senhor juiz, pare agora!”, em sua tentativa de suspender a contagem de votos. O atual presidente dos Estados Unidos reforçou nesta quinta-feira o discurso, sem provas, de que há fraude no pleito e avisou que contestará o resultado em todos os estados em que for derrotado. Já para Joe Biden, que está bem à frente no número de delegados no Colégio Eleitoral e pode ser declarado vencedor a qualquer momento, a trilha sonora ideal seria o funk do Bonde do Tigrão: “Não para, não para, não para, não!”.

Pouco depois das 20h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira, Trump fez um discurso em que disse que estão sendo contabilizados votos ilegais e voltou a se declarar vencedor.

— O voto por correio destruiu nosso sistema. Se você contar os votos legais, venci facilmente. Se contar os votos ilegais, eles me roubaram — atacou Trump, usando como argumento o fato de ter saído na frente na apuração em vários estados, como os ainda abertos Geórgia e Pensilvânia, e de ter visto sua vantagem cair conforme os votos postais eram apurados, fenômeno que já era esperado.

Enquanto o presidente falava, várias redes de TV americanas, como ABC, CBS e MSNBC, pararam a transmissão do discurso por considerar as declarações mentirosas e não democráticas. Mais cedo, Trump já havia postado no Twitter um apelo para que a apuração dos votos fosse suspensa: “Parem a contagem”.

O pronunciamento do presidente aconteceu duas horas depois de Biden ir à TV manifestar confiança na vitória e pedir calma a seus eleitores, reforçando que todos os votos têm que ser contados:

— Não temos dúvidas de que, quando a contagem terminar, a senadora (Kamala) Harris (sua vice) e eu seremos declarados vencedores. Portanto, peço a todos que fiquem calmos. O processo está funcionando. A democracia às vezes é confusa, depende de um pouco de paciência.

Mas como Trump insiste em judicializar a eleição, as campanhas já entraram no ritmo da marchinha “Me dá um dinheiro aí”. Os dois lados lançaram fundos para arrecadar verba para financiar a guerra nos tribunais que se anuncia.