Joelhada na cabeça de zagueiro da Arábia Saudita choca; entenda como aplicação do protocolo mudou em relação à véspera

Nos minutos finais da impressionante derrotada da seleção da Argentina diante da Arábia Saudita, nesta quarta-feira, pela primeira rodada do Grupo C da Copa do Mundo do Catar, uma imagem ainda mais chocante assustou quem assistia à partida no estádio ou pela televisão: a joelhada involuntária do goleiro saudita Al Owais na cabeça de um colega de equipe, o zagueiro Al Shahrani. No mesmo instante, vieram à tona as imagens do dia anterior, quando o goleiro do Irã, Alizera Beiranvand, teve sangramento no nariz e suspeita de concussão após um choque com um companheiro de seleção.

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Após o procedimento médico com Beiranvand ter recebido uma enxurrada de críticas de especialistas, no caso do goleiro saudita houve mudanças na aplicação do protocolo. Al Shahrani foi substituído, e deixou o gramado de maca após ficar aparentemente desacordado por alguns instantes.

A partida, que àquela altura já estava com placar de 2 a 1 para os sauditas, de virada, não chegou a ser imediatamente paralisada pelo árbitro após a queda do zagueiro. O próprio goleiro Al Owais chamou atenção para o lance, ao perceber que Al Shahrani poderia ter se lesionado com seriedade.

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Em choques de cabeça como esse, nos quais o jogador cai desacordado ou com sintomas como náuseas e dor de cabeça, o protocolo recomendado pela Fifa é de que o jogo seja paralisado para uma substituição imediata. O técnico da seleção da Arábia Saudita, Hervé Renard, já havia usado as três janelas de substituição a que tinha direito, mas foi autorizado a trocar o zagueiro Al Shahrani também como parte do protocolo, que permite excepcionalmente substituições por motivos médicos após choques de cabeça, mesmo que todas as cinco trocas regulamentares já tenham sido feitas.

Entretanto, na primeira partida em que o protocolo médico teve que ser usada, médicos e especialistas criticaram o procedimento utilizado. Após o choque na cabeça na partida contra a Inglaterra, o goleiro iraniano Ali Beiranvand chegou a ficar desacordado por alguns momentos mas, após receber um tratamento, foi autorizado a voltar para o campo.

Minutos depois de ter autorizado a sua permanência em campo, o próprio goleiro voltou a cair em campo e pedir a substituição. Durante aquele jogo, médicos e especialistas já criticaram a forma como o episódio foi tratado.

"Uma total desgraça a permanência do goleiro iraniano! É irrelevante que ele tenha sido substituído depois, mesmo que poucos minutos. O primeiro teste do protocolo de concussão da Fifa e um fracasso", publicou a ONG Headway, especializada em ajudar pacientes com esse tipo de lesão.

Neurocientista e CEO da Concussion Legacy Foundation, também focada na prevenção de lesões cerebrais no esporte, Chris Nowinski também criticou como a situação foi administrada na partida entre Inglaterra e Irã, citando o fato de Beiranvand ter retornado à partida.

"O goleiro do Irã caiu depois de um choque de cabeças com seu companheiro. Foi liberado apenas para cair no chão minutos depois e pedir por uma substituição. A Copa do Mundo teve um começo desastroso no gerenciamento de concussão. Cria um exemplo que coloca dezenas de milhões de jovens jogadores em risco. Vergonhoso", disse

No Brasil, o médico Renato Anghinah, um dos maiores especialistas nesse tipo de lesão, avaliou que a situação do goleiro do Irã foi mal administrada e que não é preciso haver desmaio para caracterizar a necessidade de substituição imediata.

— É importante dizer que não precisa desacordar, apagar para configurar concussão. Se estiver tonto, desorientado, vertigem, dor de cabeça imediata. Tudo isso já caracteriza a concussão.