Jogador do Irã é preso por "propaganda contra República Iraniana"

Vouria Ghafouri, que representou o Irã na Copa do Mundo de 2018, é opositor ao Governo e seu regime rígido.
Vouria Ghafouri, que representou o Irã na Copa do Mundo de 2018, é opositor ao Governo e seu regime rígido. Foto: (AP Photo/Ebrahim Noroozi)

Representante da Seleção do Irã na Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia, o lateral iraniano Vouria Ghafouri foi preso na última quinta-feira por, de acordo com as autoridades do país, "insultar a reputação da seleção nacional" e "propaganda contra a República Islâmica". O momento da prisão foi inusitado: durante um treinamento do Foolad, time que disputa a primeira divisão do campeonato nacional.

De origem curda, Ghafouri é um ferrenho crítico do regime adotado pelos governantes do Irã e chegou a ser capitão do Teerã Esteghlal, um dos clubes de futebol mais tradicionais da história do país. A prisão do atleta de 35 anos seria, de acordo com analistas políticos, uma forma de 'recado' aos jogadores que estão disputando a Copa do Mundo do Catar, que está sendo realizada entre os dias 20 de novembro e 18 de dezembro deste ano, para que não realizem mais protestos como o feito no primeiro jogo, de não cantarem o hino nacional.

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Mais uma vez, o técnico português Carlos Queiroz, comandante da Seleção do Irã, se irritou durante uma entrevista na Copa do Mundo do Catar, que está sendo realizada entre os dias 20 de novembro e 18 de dezembro deste ano, por causa de perguntas relacionadas a questões políticas do país árabe.

Durante a coletiva de imprensa desta quinta-feira, ao lado do jogador Mehdi Taremi, cobrou um repórter da BBC após a seguinte pergunta feita a Teremi: "Os fãs estão aqui torcendo por vocês, os fãs estão em casa (no Irã) torcendo por vocês, mas também existem pessoas nas ruas. Qual a sua mensagem para os manifestantes nas ruas no Irã?".

O jogador, então, respondeu que: "Eu queria me posicionar porque eu sabia que uma pergunta dessas seria feita. O que eu disser aqui não vai ter um impacto no Irã. Infelizmente tem um número de torcedores que entendem as coisas da forma que eles querem entender. Sobre as questões políticas, o que eu posso fazer é falar em minhas redes sociais. Eu não vou elaborar mais quanto a isso".

Logo após a coletiva de imprensa, Queiroz questionou o jornalista: "A coletiva de imprensa terminou, você acha justo fazer perguntas sobre outras culturas?". E recebeu a seguinte resposta do profissional de imprensa: "Absolutamente, mas eu estou perguntando a um jogador iraniano sobre o Irã...". O diálogo seguiu com Queiroz: "Por que você não pergunta a outros países? Por que não pergunta a Inglaterra o que eles acham sobre a Irlanda do Norte e para os Estados Unidos o que eles acham da retirada de tropas do Afeganistão e as mulheres que estão sozinhas lá".