Jogadores da Alemanha tampam a boca em protesto na estreia da Copa; Neuer esconde braçadeira

Os jogadores da Alemanha fizeram um protesto antes da bola rolar na partida contra o Japão, válida pela primeira rodada do grupo E da Copa do Mundo no Catar. Na foto oficial, tirada antes do início do jogo, os atletas aparecem cobrindo a boca com a mãos. A imagem não foi exibida pela Fifa na transmissão oficial.

Além disso, o goleiro e capitão da seleção alemã, Manuel Neuer, entrou em campo com a braçadeira escondida, também como uma forma de protesto. No entanto, pouco antes de iniciar a partida o bandeirinha pediu para verificar a braçadeira do arqueiro durante o aquecimento. Neuer mostrou, e em seguida o auxiliar correu para sua posição e o jogo começou.

Em nota oficial, pouco depois do início da partida, a Federação da Alemanha se pronunciou por meio das redes socias e explicou que o Neuer não pode utilizar a braçadeira "One Love" durante o confronto contra o Japão.

"Com a nossa braçadeira de capitão quisemos dar o exemplo pelos valores que vivemos na seleção: a diversidade e o respeito mútuo. Seja alto junto com outras nações. Não se trata de uma mensagem política: os direitos humanos não são negociáveis. Isso deve ser feito sem dizer. Mas infelizmente ainda não é. É por isso que esta mensagem é tão importante para nós. Banir-nos do curativo é como banir nossas bocas. Nossa postura permanece", publicou a Federação.

O que é a iniciativa da braçadeira?

Chamada de "One love" (Um amor), ela foi criada pela federação holandesa e logo ganhou a adesão de outros nove países: Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Noruega, Suécia, Suíça e País de Gales. O objetivo é divulgar a mensagem de inclusão e igualdade durante a Copa do Mundo do Catar. Ela se reflete no uso da braçadeira com um coração contendo seis cores (que não são as do arco-íris).

Os capitães utilizaram a braçadeira na rodada de setembro da Liga das Nações da Europa. As oito seleções classificadas para a Copa também prometeram utilizar no Mundial. No entanto, a França já recuou. Há cinco dias, o goleiro Hugo Lloris afirmou que não irá bater de frente com as leis do Catar.

- Tenho minha opinião. Quando recebemos estrangeiros, queremos que eles cumpram nossas regras e nossos requisitos. Farei o mesmo no Catar. Eu tenho que mostrar respeito por isso - afirmou o capitão, numa declaração de neutralidade que já havia sido adotada pela própria federação francesa.

O que diz a Fifa?

A entidade que regula o futebol passou os últimos meses afirmando que as bandeiras com as cores do movimento LGBTQIAP+ seriam bem-vindas na Copa do Mundo (ao contrário do que diziam as autoridades cataris). Contudo, no último sábado a Fifa lançou uma campanha que prega valores de forma mais genérica (saúde, união e antidiscriminação) e que também disponibiliza braçadeiras para os capitães. O gesto foi entendimento como uma forma de rivalizar e inibir o "One love".

Mas o golpe mais incisivo veio neste domingo. De acordo com o jornal britânico "The Telegraph", em reunião com a federação inglesa a Fifa informou que o capitão Harry Kane não poderá usar a braçadeira do "One love". O motivo alegado é o de que alterações no uniforme não podem ser feitas sem sua aprovação. Até então, a entidade vinha se esquivando de dar respostas diretas sobre o assunto.