Jogadores simpatizam com férias antecipadas, mas acordo salarial pode demorar

Igor Siqueira
Fluminense tenta aliviar folha durante paralisação

A discussão entre clubes e a representação de jogadores envolvendo as questões trabalhistas pode ter um dia decisivo com a expectativa de resposta da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf). Desde sexta-feira, os boleiros discutem os termos propostos em conjunto pelos empregadores. Pelo andar das conversas, a antecipação das férias é, de longe, a questão mais bem resolvida internamente e conta com a simpatia dos jogadores.

Pela proposta, já seriam concedidos 30 dias a partir desta semana, aproveitando a interrupção do futebol por causa do coronavírus. Os jogadores ainda receberiam 10 dias de descanso a partir de 24 de dezembro, já que o calendário nacional deve ser esticado até lá, totalizando 40 dias.

No entanto, quanto à questão financeira, o debate tende a se estender um pouco mais - inclusive com variação de postura de cada clube. Os jogadores têm tirado dúvidas a respeito das implicações dos descontos propostos para o período. A amortizar os danos dos clubes, que se deparam com uma queda brusca de arrecadação por causa do interrupção das competições.

- A conversa segue, é tudo amplamente debatido com atletas de todos os cantos do país. Os atletas estão unidos para encontrar a melhor solução possível. A resposta pode não passar por todos os temas. A questão das férias é imediata. Mas as duas partes estão em negociação. Estão todos acionados no propósito de encontrar uma saída - disse o presidente da Fenapaf, Felipe Augusto Leite.

Do lado dos clubes, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, encabeça a negociação e é o responsável por fazer a interface com a representação dos jogadores. A atribuição foi dada a ele pelos companheiros dirigentes, em reunião na sexta-feira.

- Propomos férias. Pagamos 50% das férias agora, depois pagamos a outra metade no final do ano. Antecipando as férias, não traria prejuízo, parcelaria só. O restante da proposta, permanecendo os 30 dias sem poder voltar a treinar, retomaríamos individualmente os treinos, algo preparado pelas comissões, e faríamos uma remuneração de 50% de salário e direito de imagem permanecendo em casa, individualmente. Permanecendo ainda mais tempo, e esperamos que não, tendo a possibilidade de retorno de jogos, voltamos com salário integral, volta a receita e melhora tudo. Com 60 dias sem possibilidade de jogar, aí seria suspender contrato, mas sem prejuízo, íamos estender esse contrato para frente e ele receberia isso - disse o dirigente tricolor ao SporTV.