'Jogo da corrupção': série de ficção retrata ascensão e declínio de João Havelange

Uma festa de 100 anos sem convidados foi a forma que o cineasta argentino Armando Bó, vencedor do Oscar de melhor roteiro original por “Birdman” (2015) encontrou para mostrar o declínio de João Havelange na série “Jogo da corrupção”, que conta a história do ex-presidente da Fifa. A produção, que estreia hoje no Prime Video, é a segunda temporada da antologia “El presidente”, que aborda facetas do Fifagate, investigação que eclodiu em 2015 e revelou as entranhas da corrupção no futebol.

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— João Havelange era como Don Corleone — diz Armando, em referência ao lendário mafioso de “O podoroso chefão”. — Ele foi o pai dos grandes negócios, tanto dos negativos quanto dos positivos, da corrupção mas também da visão do futebol como marketing. Pareceu-me uma história fascinante.

Morto em 2016, aos 100 anos, Havelange era filho de um comerciante belga de armas e foi atleta de natação e polo aquático. Formou-se advogado e trabalhou no ramo dos transportes antes de chegar à presidência da Confederação Brasileira de Desportos, onde atuou de 1958 a 1970. Em 1974, foi eleito presidente da Fifa, cargo em que permaneceu até 1998. A série mostra toda a movimentação estratégica do brasileiro para ocupar o posto, antes voltado apenas para europeus.

— O futebol como conhecemos hoje em dia existe graças a ele — diz Albano Jerónimo, ator português que interpreta o cartola. —Deixou de ser um esporte e passou a ser um negócio. Conseguimos ter essa perspectiva com a série que, com certeza, fala de futebol, mas há também uma abordagem político-social muito mais interessante.

Além do português, o elenco tem ainda o colombiano Andrés Parra, que foi protagonista da primeira temporada ao interpretar Sergio Jadue, presidente da Confederação Chilena de Futebol, colaborador do FBI no Fifagate, e que volta como narrador de “Jogo da corrupção”. Encabeçando o time brasileiro estão Eduardo Moscovis, como o bicheiro Castor de Andrade, amigo de Havelange, e Maria Fernanda Cândido como a mulher do cartola. Anna Maria na vida real, mas chamada de Isabel na série, ela foi um personagem que deu um trabalho extra.

— Quando começamos a pesquisa sobre Anna Maria, fomos ao Google e nada. Entrevista? Ela havia falado uma vez no Mundial de 1978 com as Mães da Praça de Maio — diz Armando. — Havia muito pouca informação sobre ela e era difícil desenvolver a história.

Por isso, Anna vira Isabel e assim os roteiristas puderam transformar essa mulher em alguém com mais apelo à realidade atual.

— Ela está ali representando um feminino dentro de um mundo essencialmente masculino — reflete Maria Fernanda. — Como essa mulher passa a ter uma existência realmente própria, não apenas em relação ao marido? Esse é o arco dela.