Jogo de empurra-empurra: estado e município não se entendem, e peixes mortos seguem em canal na Barra da Tijuca

A responsabilidade pela retirada de milhares de peixes mortos do espelho d’água da Lagoa de Marapendi, na Barra, nesta sexta-feira, virou um jogo de empurra-empurra entre as autoridades municipais e estaduais. A Comlurb afirma que só pode fazer a remoção quando os peixes chegarem nas margens ou alcançarem a Barra pelo canal da Joatinga, levados pela maré. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), por sua vez, diz que a responsabilidade por sanear as lagoas seria da prefeitura, bem como o recolhimento de peixes. Para complicar, no trecho onde os peixes apareceram mortos, os dois órgãos não mantêm embarcações para ajudar na limpeza. A tarefa também não está prevista no contrato de concessão da Iguá Saneamento, que herdou da Cedae a responsabilidade por levar o saneamento à região, conhecida como Baixada de Jacarepaguá.

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Por volta das 16 horas, a Comlurb deslocou cerca de 20 garis para vistoriar as margens da lagoa e recolher peixes mortos, e não há estimativa de quanto tempo esse serviço vai demorar. Hoje, a Comlurb só conta com embarcações para executar a limpeza de espelhos d’água — seja de peixes ou lixo na Lagoa Rodrigo de Freitas (cuja gestão é compartilhada em um convênio com o Estado) e do lixo que chega da Baía de Guanabara às margens da Orla Conde.

A falta de uma ação conjunta já ficou evidente na semana passada. Com o rompimento de uma ecobarreira instalada pelo estado na Lagoa da Tijuca, toneladas de gigogas só foram recolhidas pela Comlurb quando já sujavam a areia.

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— A situação é complicada. Todos são responsáveis. A prefeitura poderia ter acionado equipes de guardiões de rios (que cuidam da limpeza manual de cursos d'água da cidade) em parceria com pescadores para fazer a remoção, mas isso não existe. Por outro lado, o Inea faz o monitoramento da qualidade da água inclusive das lagoas e poderia ter detectado o risco de mortandade. E a concessionária deveria ter uma informação mais precisa sobre a situação das lagoas da região — diz a advogada e ambientalista Veronica Beck, representante da sociedade civil no subcomitê de gestão da sub-bacia hídrica das lagoas de Jacarepaguá.

O ex-presidente do Inea, Luiz Firmino, também diz que os órgãos deveriam ter se articulado para tentar encontrar uma solução para o impasse:

— Em tese, se Inea e Comlurb não têm recursos para retirar esses peixes ainda no espelho d’água, uma possível solução poderia ser acionar colônias de pescadores para ajudar nesse trabalho. De qualquer forma, a tarefa final será da Comlurb.

A mortandade gerou outro transtorno: pela manhã, balsas que fazem a ligação de condomínios com a estação do Metrô do Jardim Oceânico (Barra) tiveram que circular entre os peixes para concluir as viagens.

De acordo com especialistas ouvidos pelo GLOBO, uma das causas para a alta mortandade é a quantidade de esgoto que foi levado pelas chuvas dos últimos dias para o canal e o sistema lagunar da região.