Presidente do Quênia diz que direitos LGBT é um tema "irrelevante"

Nairóbi, 21 abr (EFE).- O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, considerou que os direitos do coletivo de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) é um tema "sem relevância" no país, e não quis falar sobre isso em entrevista, segundo informou neste sábado a imprensa local.

"Não vou participar de um assunto sem relevância para o povo do Quênia", disse Kenyatta perguntado sobre as relações entre pessoas do mesmo sexo em entrevista à emissora americana "CNN", segundo informou hoje o jornal local "Daily Nation".

O presidente disse que o tema "não é questão de direitos humanos", mas que concerne como cultura, e que é rejeitado pela sociedade.

As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são penalizadas pelas leis quenianas, e o homossexualismo continua sendo ilegal.

Na entrevista, no programa da jornalista Christiane Amanpour, o presidente disse que não lhe corresponde mostrar-se favorável ou não à questão, já que é um tema que "os quenianos confiaram à Constituição há anos, indicando claramente que não é aceitável e que não é um tema com o qual querem se envolver".

Nos últimos meses, várias associações LGBT e de direitos humanos levaram perante o Supremo Tribunal do Quênia um recurso contra a ilegalidade das relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, em um julgamento que ainda segue se desenvolvendo.

Não é a primeira vez que o presidente do Quênia se mostra abertamente contra os direitos LGBT, já que em 2015, durante uma visita oficial do ex-presidente americano Barack Obama, Kenyatta já disse que "não era um tema" para tratar no Quênia.

Foi quando o ex-mandatário americano falou sobre a necessidade de conseguir a igualdade para o coletivo LGBT, e Kenyatta se mostrou contrariado e disse que "compartilham muitas coisas, mas os assuntos sobrem homossexuais não é uma delas".

Kenyatta participou nesta semana da cúpula bienal do Consórcio de Municípios de Nações (Commonwealth), integrada por 53 países, dos quais 37 têm leis que criminalizam o homossexualismo. EFE