Cristão marroquino é detido com suposto material de catequese

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Rabat, 19 abr (EFE).- Um marroquino de denominação cristã libertado nesta quinta-feira após passar 24 horas preso em uma delegacia da cidade de Rabat em posse de suposto material proselitista - ou seja, de catequese.

"Os policiais o interrogaram sobre os quatro livros religiosos que estavam com ele antes de decidir se o libertavam sem acusá-lo formalmente", informaram os advogados do marroquino à Agência Efe.

A defesa do jovem alegou que a lei do país não permite a punição de uma pessoa por professar o cristianismo ou por mudar de religião, mas exclusivamente quando realiza atividades proselitistas.

O homem de 35 anos foi detido ao sair de casa no bairro popular de Taqadum. Ao revistarem sua mochila, os agentes encontraram um evangelho e quatro livros religiosos, acrescentaram as fontes.

De acordo com o artigo 220 do Código Penal do Marrocos, é condenado a penas de seis meses a três anos de prisão quem "empregar qualquer meio de sedução para quebrar a fé de um muçulmano ou tentar convertê-lo a outra religião".

O Marrocos sempre foi tolerante com o direito de culto e garante os direitos espirituais dos estrangeiros cristãos ou de outras confissões no seu território, mas nunca tolerou na sua história conversões dos seus cidadãos a outras religiões.

Sendo um país sunita também não admite conversões à orientação xiita. Só aceita e defende a minoria marroquina judia, estabelecida no seu território há séculos.

Apesar disso, os cristãos marroquinos começaram nos últimos anos a sair da clandestinidade e se organizaram clandestinamente para reivindicar o direito a um nome cristão, a rezar em uma igreja e a ser enterrado fora de um cemitério muçulmano. EFE