Johnny Hooker lança DVD de 'Macumba ao vivo em Recife' cinco anos após gravação

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Em 2016, Johnny Hooker lotou a casa Baile Perfumado, em Recife, com quatro mil fãs de seu grito de liberdade juvenil que despontava no cenário nacional. Agora, cinco anos depois — quase uma eternidade em tempos de sucessos efêmeros, streaming e pandemia —, com menos cabelo, usando óculos e a camisa preta no lugar dos trajes coloridos, Johnny lança o DVD “Macumba”, gravado naquela apresenção. O registro está disponível nas plataformas de streaming e no YouTube.

— Ficamos contando que ia fechar as contas com o público comparecendo, mas, para isso, os ingressos tinham que esgotar. Foi muita tensão. E aí, antes de entrar no palco, a minha produtora virou para mim e falou: “Esgotou” — lembra Hooker. — Fico muito orgulhoso de ter tido essa coragem, de ter botado o bloco na rua, ter feito o show e ter registrado isso para sempre.

O cantor percebe mudanças na vida e na arte que só um artista recém-chegado à casa dos 30 entende. A voz que gritava “eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!” hoje sussurra a vida de forma mais amena, mas não menos verdadeira. Conversa sobre política, livros e arte com a mesma paixão dos primeiros sucessos, mas com uma perspectiva diferente. O olhar sobre si mesmo e sobre a arte amadureceu:

— Vejo o quanto evoluí como compositor, como cantor. Hoje conseguiria usar o palco com mais controle corporal por todos os estudos que fiz nos últimos anos. Sinto que tive uma grande evolução, mas admiro muito essa coisa de “sangue nos olhos” que eu tinha.

O último disco de Hooker é “Coração’, de 2017. “Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!” foi o de maior visibilidade do cantor. “Alma sebosa”, um dos hits, tem mais de 4 milhões de visualizações no YouTube. Johnny tem músicas em filmes, novelas, minisséries e, mais recentemente, suas músicas “Touro” e “Flutua”, esta em parceria com a cantora Liniker, tocaram em VTs de Gil do Vigor, no "Big Brother Brasil 21".

— Quando tocou no "BBB", eu juro para você que não entendi. Pensei que a minha mãe tinha colocado para tocar aqui em casa, clicado em algum vídeo no celular… Quando percebi que estava no programa, meu coração veio na boca e gritei. Todo mundo correu para ver. Foi lindo, muito representativo — conta.

Johnny Hooker sempre se posicionou politicamente. Já manifestou sua opinião nos palcos e constantemente defende bandeiras e ideias nas redes sociais.

— A desigualdade gritou e quem não tem nada ou tem pouco se lascou. Não acho possível que a gente venha viver uma ditadura, acho que a gente já vive uma ditadura em diversos aspectos. Realmente, só com uma mudança grande de governo para conseguir voltar a andar com cultura e arte — avalia.

Novo trabalho

Inspirado no livro “Orgia – Diários de Túlio Carella”, clássico da literatura queer dos anos 60, o próximo disco de Johnny Hooker terá como tema central o sexo e o amor numa nova perspectiva. O livro é ambientado em Recife, onde Carella se apaixonou pela sensualidade e pela beleza do povo, e assim passou a experimentar a vivência homoafetiva, relatada nestes diários íntimos.

O álbum deve seguir a mesma linha, retratando o novo olhar de Hooker — depois dos 30 e de uma pandemia — sobre questões que ele sempre tratou em sua arte, como a sexualidade e a sensualidade.

— No primeiro momento (da pandemia), fiquei paralisado, com muito medo, mas agora eu estou num momento melhor com a vacina. A gente já pode vislumbrar um futuro com quem a gente ama. Mas foi um ano de muito trabalho. Assim que a pandemia chegou no Brasil, eu tinha acabado de finalizar a primeira parte do meu disco novo. Montei um home studio e estou gravando as últimas vozes que estão faltando para mandar o disco para finalização.

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