Johnson defende novo bloqueio para vencer 'corrida' contra vírus

Anna CUENCA
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Fotografia divulgada pelo Parlamento do Reino Unido mostra o primeiro-ministro britânico Boris Johnson durante a declaração do primeiro-ministro sobre a covid-19 na Câmara dos Comuns em Londres em 6 de janeiro de 2021.

O Reino Unido, que nesta quarta-feira (6) registrou mais de mil mortes por covid-19, precisava de um terceiro bloqueio para vencer a "corrida" de vacinação contra o coronavírus, defendeu o primeiro-ministro, Boris Johnson, diante do Parlamento, que aprovou retroativamente a medida.

Diante de outra onda incessante desde a descoberta em dezembro de uma nova cepa aparentemente mais contagiosa, o país registrou 1.041 mortes nas últimas 24 horas, níveis iguais aos do pico de abril.

Com 77.346 mortes, o Reino Unido é mais uma vez o país da Europa mais afetado pela pandemia, superando a Itália, e na quarta-feira registrou 62.322 novos positivos.

Nesse contexto, acelerar a vacinação em massa aparece como a única esperança.

"Estamos numa corrida para vacinar pessoas vulneráveis mais rápido do que o vírus pode alcançá-las", disse Johnson, defendendo sua ordem de voltar a confinar o país. Anunciado repentinamente na noite de segunda-feira, ela entrou em vigor já na terça-feira.

"Mas se quisermos vencer esta corrida... Temos que dar ao nosso exército de vacinadores a maior vantagem possível" e "para isso, devemos ficar em casa mais uma vez", acrescentou.

Os 56 milhões de habitantes da Inglaterra entraram em seu terceiro confinamento nacional, após os da primavera no hemisfério norte e do mês de novembro, que permanecerão legalmente em vigor até 31 de março, segundo legislação aprovada nesta quarta-feira pela Câmara dos Comuns.

A Escócia também iniciou um novo bloqueio total para todo o mês de janeiro na terça-feira, enquanto o País de Gales e a Irlanda do Norte, que já estavam parcialmente confinados, fecharam suas escolas.

- Objetivo: 14 milhões em um mês e meio -

Apesar da hostilidade de alguns parlamentares da ala conservadora de Johnson, a medida para a Inglaterra foi aprovada por uma grande maioria, com 524 votos a favor e 16 contra, graças ao apoio da oposição trabalhista.

Seu líder, Keir Starmer, que há dias clamava por um novo confinamento, criticou mais uma vez a lentidão e a inconstância do governo em controlar a pandemia.

Pioneiro nos países ocidentais na campanha de vacinação, iniciada no dia 8 de dezembro, o Reino Unido já imunizou 1,3 milhão de pessoas com as vacinas desenvolvidas pela Pfizer / BioNTech e AstraZeneca / Oxford.

E tem como meta vacinar até meados de fevereiro todos os maiores de 70 anos, além dos trabalhadores da saúde, quase 14 milhões de pessoas.

"O calendário de vacinação é realista, mas não é fácil", reconheceu o conselheiro médico do governo Chris Whitty em uma entrevista coletiva na terça-feira.

Também o secretário de Estado responsável pela campanha, Nadhim Zahawi, considerou quarta-feira que se trata de um objetivo "muito ambicioso" mas alcançável, em declarações ao canal Sky News.

Em resposta às críticas de países como Austrália ou Bélgica, onde as campanhas de vacinação demoram mais para decolar, um porta-voz de Johnson reiterou na quarta-feira: "não nos apressamos em autorizar vacinas".

"Os britânicos devem confiar neles e administra-las" quando chegar sua vez, disse ele, enfatizando que foram submetidas a extensos testes de segurança.

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