"O que o presidente tenta fazer é chavismo", diz Joice sobre trocas no comando da PF e no Ministério da Justiça

Joice Hasselmann na CPMI das Fakes News (Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado)

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (28), a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) considerou como um sinal de “chavismo” as trocas no comando da Polícia Federal e no Ministério da Justiça, realizadas pelo presidente Jair Bolsonaro

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“O que o presidente está tentando fazer é transformar PF e o Ministério da Justiça numa coisa só e comandado pela mesma pessoa, que é ninguém mais ninguém menos que o próprio presidente da República. Isso não é democracia, é chavismo, é autoritarismo, passa longe de ser um processo democrático. Por isso, antes que o Brasil caia num chavismo de verdade com o sinal trocado, eu propus o processo de impeachment”, acusou.

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A parlamentar cobrou ainda que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dê andamento ao processo de impeachment. Rodrigo Maia já afirmou que a prioridade do Congresso é o combate à crise da pandemia da Covid-19 e que não é o momento para discutir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. “Sem dúvida, precisamos ter o foco na pandemia, mas não podemos deixar o Brasil à deriva, porque o governo acabou”. 

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“Defendo a criação da CPI. O impeachment está na gaveta do presidente da Câmara. Cabe a ele tirar. Conforme as informações sejam reveladas, haverá apoio da população para acontecer”, acrescentou.

Ao defender o processo de impeachment, a ex-aliada de Bolsonaro disse que “não podemos deixar o Brasil sendo tocado por um chavista, que quer instituir um golpe militar no Brasil e fingir que nada está acontecendo. É papel do Parlamento impedir esse golpe. Não podemos fechar os olhos para a política porque senão a Câmara estará sendo omissa, prevaricando”, disse.

De acordo com Hasselmann, a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal tem como objetivo proteger seus filhos, inclusive o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-SP), apontado pela PF como coordenador de um esquema de disparos de fake news.

A participação dele e do irmão Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi alvo de depoimentos da deputada na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga o tema no Congresso, e também é apurada pela STF (Supremo Tribunal Federal).

Joice Hasselmann disse ter entregue ao Supremo dados que mostram como o chamado “gabinete do ódio” opera nos estados e provas de que os articuladores dessa rede operam com “calendário de ataques”, escolhendo vítimas de determinados períodos”.

Ela também aproveitou a entrevista para comentar as negociações do presidente com partidos do chamado Centrão, que querem cargos no governo em troca de apoio político no Congresso. “Bolsonaro cedeu ao pior que tem na política. O discurso que foi feito cai por terra, é mentira. Discurso de corrupção, de lealdade ao povo brasileiro, de não roubar, tudo é mentira”.

A parlamentar foi líder do governo no Congresso até outubro de 2019, quando foi tirada do cargo por atritos com o presidente dentro do partido.


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