Jorge Jesus revela que amigos eram contra vinda ao Brasil

Diogo Dantas e Marcello Neves - Enviado especial

Se dentro das quatro linhas a final da Libertadores consagrou Gabigol, fora delas foi Jorge Jesus o grande destaque. O título apenas confirmou o que a torcida já sentia: apesar do pouco tempo de clube (chegou em junho), o português virou ídolo. Seja em Lima, no Rio, ou nos outros estados do Brasil em que rubro-negros se reuniram para assistir à decisão, o coro de “Mister” foi o cantado com mais força. Uma relação que só pôde se concretizar porque ele não ouviu os conselhos de seus amigos — entre eles, o próprio empresário — e topou o desafio de trabalhar no Brasil.

— Quando tomei esta decisão fui contra muita gente. Até parte dos meus amigos, que diziam “Você vai para um campeonato em que os treinadores não duram uma semana". Mas eu tinha muita convicção no meu trabalho e conhecia os jogadores do Flamengo. Tudo foi conjugado. Poderia não acontecer. Mas havia talento e estrutura para fazer o que fizemos — disse o treinador à Fox Sports.

Se a chegada ao Brasil foi marcada pela desconfiança, a permanência também. Apesar dos resultados positivos terem aparecido em pouco tempo, os rumores de que Jesus deixaria o clube no fim do ano também não tardaram a surgir. O motivo: a violência no Rio. Em meio às comemorações pelo título, o português voltou a negar que se sinta inseguro.

— Eu sinto muito bem no Rio, muito seguro. As pessoas ao meu redor me acarinham todos os dias. Já tenho muitos amigos no Brasil. Insegurança há em todo o mundo. Em Portugal também há. Isso nunca me assustou e nem nunca vai me assustar.

O treinador confirmou haver uma cláusula que permite a rescisão do contrato no fim do ano sem multas caso uma das partes esteja insatisfeita. Mas, com um título da Libertadores e a possibilidade de ganhar outros, não há interesse em nenhum dos lados. Tricampeão português pelo Benfica, ele ainda evita tratar 2019 como o melhor ano de sua carreira. Mas acredita que, em dezembro, poderá cravar esta afirmação.

— Ainda não. Ganhei a Libertadores, um troféu muito importante, e se ganhar o Brasileiro e o Campeonato Mundial de clubes certamente será minha melhor carreira como treinador.

O título brasileiro, por sinal, pode ser conquistado já neste domingo. Com 81 pontos, o Flamengo só precisa que o Palmeiras não vença o Grêmio, às 16h, em São Paulo. Ainda assim, o discurso é de pé no chão.

— Já são muitos anos de carreira. Sei que o futebol é cruel. Quando você ganha é tudo muito bonito. Quando deixa de ganhar, começam a duvidar de ti. O futebol tem este sentimento que, às vezes, é irracional. Eu não me iludo. Hoje a equipe do Flamengo está ganhando. O dia em que não ganhar, vai acontecer comigo o que acontece com os outros.