Jornais australianos protestam contra a censura

Jornais australianos apresentam primeiras páginas com críticas à censura

As primeiras páginas dos jornais australianos apresentam nesta segunda-feira protestos contra o retrocesso da liberdade de expressão e o sigilo do governo.

Os jornais nacionais e regionais, incluindo alguns muito famosos como The Australian, The Sydney Morning Herald e Australian Financial Review, publicaram o protesto.

Canais de televisão também exibiram anúncios com a pergunta: "Quando o governo esconde a verdade de você, o que eles estão acobertando?".

A campanha pelo direito à informação foi organizada depois das operações da polícia há alguns meses na sede do canal ABC e na residência de uma jornalista de News Corp, que divulgaram informações que provocaram constrangimento ao governo.

A imprensa australiana deseja que os jornalistas não sejam submetidos à severa legislação de segurança nacional por considerar que isto complica seu trabalho.

"A cultura de sigilo que deriva destes dispositivos legais restringe o direito de todo australiano a estar informado e vai muito além da intenção original de segurança nacional", disse Paul Murphy, diretor do sindicato Media Entertainment e Arts Alliance.

"As operações policiais na residência da jornalista da News Corp Annika Smethurst e na sede da ABC em Sydney são ataques à liberdade de imprensa na Austrália e são apenas a ponta do iceberg", completou Murphy.

Após as operações, três jornalistas podem receber acusações penais: Smethurst por ter revelado que o governo pretendia espionar os australianos e dois da ABC por uma denúncia de crimes de guerra supostamente cometidos pelas forças especiais australianas no Afeganistão.

A imprensa também deseja mais proteção para os informantes, um avanço na liberdade de informação e uma reforma da lei sore difamação.

Ao contrário da maioria das democracias, a Austrália não possui uma declaração de direitos ou proteção constitucional da liberdade de expressão.

O primeiro-ministro Scott Morrison disse que seu governo "acredita na liberdade de imprensa", mas insistiu que os jornalistas não estão acima da lei.