Guedes quer desvincular salário mínimo da inflação, diz jornal; ministro nega

Paulo Guedes afirmou que “não se muda regra no meio do jogo
Paulo Guedes afirmou que “não se muda regra no meio do jogo" (Getty Image)
  • Folha de S.Paulo afirmou que Guedes planejava fazer mudanças no salário mínimo;

  • Depois de repercussão negativa na véspera da eleição, ministro negou;

  • Salários têm o menor poder de compra em 15 anos.

Após a repercussão negativa de um suposto plano elaborado por Paulo Guedes, divulgado pela Folha de S.Paulo, o ministro se manifestou sobre mudanças no salário mínimo. De acordo com o jornal, ele trabalhava para refundar a legislação sobre as contas públicas do país.

"A intenção é reformular o teto de gastos e "quebrar o piso", ou seja, frear o crescimento de despesas que hoje pressionam o Orçamento — entre elas os benefícios previdenciários ou atrelados ao salário mínimo", disse a Folha de S.Paulo.

Horas depois, o Ministro da Economia disse que, além de repassar a inflação, também estuda formas de conceder aumento real no próximo ano, caso Jair Bolsonaro (PL) seja eleito novamente. Vale lembrar que isso não aconteceu ao longo de quase quatro anos de mandato.

“Não se muda regra no meio do jogo. Vamos reajustar os salários e as aposentadorias pelo menos com o repasse da inflação, mas também estamos estudando medidas para dar aumento real no próximo ano”, disse Guedes ao Radar.

Salário mínimo enfraquecido durante a gestão de Guedes no governo Bolsonaro

Atualmente, o salário mínimo está no pior patamar em 15 anos. Fixado em R$ 1.212, desde 2007 ele não apresentava um poder de compra tão baixo, de acordo com um levantamento do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

O valor instituído pelo governo, em relação aos produtos essenciais para uma casa, é capaz de comprar apenas uma cesta e meia (1,5). Em comparação, desde 2009 o piso nacional era capaz de comprar duas cestas básicas.