Merkel e Varadkar elogiam acordo do "Brexit", embora haja questões a resolver

Berlim, 20 mar (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, elogiaram nesta terça-feira o acordo sobre o período de transição após o "Brexit", embora tenham concordado que ainda há "muitos aspectos" a esclarecer, como o da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

"Recebemos com grande satisfação o acordo alcançado ontem entre a União Europeia e o Reino Unido para o período de transição", manifestou a chanceler em um comparecimento com Varadkar, e acrescentou que será um dos pontos essenciais a debater na próxima cúpula comunitária.

Merkel lembrou que muitos pontos ainda devem ser negociados, como a questão fronteiriça, enquanto Varadkar insistiu na sua rejeição a toda fórmula que implique uma "fronteira dura" entre ambos os territórios.

O acordo anunciado ontem pelo negociador-chefe da União Europeia para o "Brexit", Michel Barnier, para um período de dois anos de transição, pautou a reunião de Merkel e Varadkar, que fez parte da rodada de contatos bilaterais da chanceler antes do Conselho Europeu que será aberto na próxima quinta-feira.

Londres e Bruxelas resolveram assim questões como o prazo transitório, durante o qual o Reino Unido não participará da tomada de decisões do bloco, mas manterá o acesso direto e a união aduaneira.

Além disso, houve consenso quanto aos cidadãos comunitários que chegarem ao território britânico nesse período de transição depois que o Reino Unido abandonar a União Europeia, em 29 de março de 2019.

Entre as questões pendentes está a fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, aspecto no qual Varadkar foi respaldado por Merkel em sua rejeição a uma fronteira dura e na necessidade de manter uma "forte cooperação" entre ambos os territórios.

"Temos que explorar novas possibilidades", insistiu o chefe do governo irlandês, para quem este ponto deve ser uma "questão central" na negociação com Londres, que "não poderá se dar por encerrada" até que não haja acordo em todos os pontos. EFE