Jornaleiros de Niterói se unem em corrente de solidariedade

Letícia Lopes
As bancas da região estavam oferecendo água e sabão para os clientes

Um grupo de donos de bancas de jornal de Niterói se uniu no combate ao coronavírus. As ações, porém, tiveram que parar na segunda-feira, quando passou a valer o decreto da prefeitura, que determinou a suspensão das atividades comerciais na cidade.

Em 15 bancas de Niterói, água mineral e sabão líquido estavam à disposição para que pessoas em situação de rua. Na última semana, o jornaleiro Rodrigo Couto, de 37 anos, passou a dividir o tempo entre as vendas da banca na Rua Mem de Sá, em Icaraí, e as entregas solidárias de pequenas compras para idosos do bairro:

— Precisamos ter cuidado, mas devemos ajudar.

Iniciativas como a de Rodrigo estavam acontecendo em bancas de Icaraí, São Francisco, Charitas e alguns estabelecimentos da Avenida Central, em Itaipu, de acordo com Adalmir Ferreira, presidente da Associação de Proprietários de Bancas de Jornal de Niterói e São Gonçalo (Aproban). Segundo a entidade, a cidade tem, hoje, 271 bancas de jornal.

Para os clientes fiéis do jornaleiro Rudy Hase Franco, de 32 anos, baseado na Rua Coronel Moreira César, em Icaraí, a recomendação de ficar em casa não foi problema, até a determinação da prefeitura da cidade de que as bancas também deveriam fechar as portas. Além dos serviços tradicionais, o estabelecimento faz vendas por aplicativo, inclusive dos jornais e revistas, e foi mais procurado depois que os moradores da região passaram a ficar em casa como medida de prevenção.

— Na banca a gente vai se adaptando às novas realidades. Busquei o cadastro na plataforma há uns meses e adicionei os serviços da banca. Vendo jornais, revistas, produtos de tabacaria, doces, chocolates e até eletrônicos de primeira necessidade, como fones de ouvido, carregadores de celular e pilha — enumera Rudy, que conta ter percebido um aumento nas vendas online desde o início da crise do coronavírus:

— O jornal tem credibilidade com as pessoas. Com toda essa situação da doença, a procura por jornais e revistas aumentou muito e mostra a importância do nosso trabalho e da imprensa.

Sem permissão para abrir

Em Niterói, só está permitido o funcionamento de farmácias, mercados, postos de combustíveis, padarias, pet shops, clínicas médicas e odontológicas, laboratórios de imagem e clínicas de vacinação, hotéis e clínicas veterinárias para casos de urgência. As bancas não foram incluídas na lista, e precisaram fechar as portas.

O presidente da Aproban, Adalmir Ferreira, conta que os idosos da cidade estavam comprando diversos produtos nas bancas, evitando a aglomeração em mercados:

— Compramos correntes plásticas para que os clientes fossem atendidos do lado de fora, e os funcionários tinham frascos de álcool em gel para usar após as venda.

Adalmir conta que as vendas de jornais e revistas haviam crescido cerca de 40% desde o início da crise.