Censura ou livre

Mauro Beting
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Maju Coutinho no 'Jornal Hoje' de 21 de novembro (Foto: Reprodução/TV Globo)
Maju Coutinho no 'Jornal Hoje' de 21 de novembro (Foto: Reprodução/TV Globo)

Da mesma inópia mental que cria termos ricos e profundos como "mimimi" e "lacrar" e “passar pano” e "país de maricas"... Vem o bastardo abstruso sofômano: "o choro é livre". Pessimamente empregado pela otimamente empregada - e ótima colega - Maju Coutinho.

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Ela se expressou muito mal. Como muita gente pensa (SIC) mal quando repete expressões do tipo "cereja do bolo" - que nem sempre é cereja, é sempre a pior parte do doce, e é outra expressão que se usa torto e sem o menor direito para dar bolo.

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Entendo o que ela quis dizer. Mas falou muito mal. E criou pela falha de comunicação e empatia um barulho ainda pior. Contaminado também por manifestações preconceituosas contra ela que já sofreu como milhões por tudo isso.

Assim como não somos o "país de maricas" que elegeu o presidente que cunhou a frase, o "choro" é fato. É foda. É desfeita. É mal feito. É sofrimento. É real. Não é reality show. É o Brasil-21. Não o BBB-21.

É hoje. Vai ser amanhã. Não o jornal de hoje. É a jornada por muito tempo.

É dever de ofício pensar antes de falar. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. "Sinceridade" não é necessariamente virtude. Às vezes é só uma máscara. E não a que devemos usar. Sempre. Independente do "histórico de atleta" ou de já termos sido infectados. Devemos dar algum exemplo. Mesmo não sendo exemplo.

Ainda mais num canhão de mídia - arma tão perigosa quanto armar uma população que sai atirando em ilegítimo ataque.

Precisamos respeitar as opiniões contrárias e as palavras. Não banalizar conspurcando o sentido. Não é todo eleitor, simpatizante, ovelhinha, fã e torcedor de Lula que é "comunista". Não é todo eleitor, simpatizante, bezerrinho, fã e torcedor de Bolsonaro que é "fascista". Hitler, Stalin, Leopoldo II, Pol Pot e Tamerlão foram "genocidas". Mas não é todo líder incompetente, extremista, preconceituoso, negacionista, adulador de ditadores, adorador de torturador, presunçoso, mal educado, péssimo educador, mandrião e blasonador que vibra quando "acerta" quando havia previsto que jovens se matariam pela depressão causada pelo isolamento forçado que pode ser chamado de “genocida”.

Um absurdo.

Como o termo "censura livre". Se é livre não é censura. Se é censura, não é livre.

Vivemos dias tenebrosos. Sobrevivemos criando mais problemas do que soluções. Também por falhas de comunicação. E por entendimento mínimo do que é dito. Não apenas por má formação educacional. Por deformação de fígado. Lemos com o cotovelo. Distorcemos tanto quanto torcemos por quem gostamos, e amamos odiar o contrário.

Falo isso também para responder o que me é perguntado/detonado demais: quando em transmissões de televisão ou rádio eu digo que “EU MARCARIA PÊNALTI nesse lance, mas é uma jogada muito DISCUTÍVEL”, apenas faço o que a regra do jogo EXIGE: a regra 12 fala em quase sempre “interpretação” – logo, subjetividade, SEM POSSEIRO DA RAZÃO OU DOS FATOS A regra do jogo é interpretativa. Exige uma opinião que EXIGE RESPEITO. CONTRADITÓRIO.

EU MARCO O PÊNALTI. Por entender que a infração foi por uma entrada imprudente, temerária ou por uso de força excessiva. Mas você TEM TODO O DIREITO de interpretar que em determinado lance não houve infração.

Quem tem razão?

Neste caso, quem defende a regra do jogo. A interpretação dela. Não a defecação de regra contrária à própria regra de que “FOI PÊNALTI E ACABOU!”.

Claro que algumas faltas são claras como a regra na ideia de Arnaldo César Coelho. Mas muitas delas precisam do debate. Em qualquer campo de atividade. Algo que está faltando demais.

Apenas defendo o espírito da regra do jogo quando insisto que NA MINHA OPINIÃO FOI PÊNALTI, mas toda opinião distinta é válida. Não passo pano. Apenas lustro a regra do jogo para quem tem viseira turva. Ou focinheira que impede a escuta.

Podem continuar me batendo pela explicação que sempre dou. Mas vou continuar falando: não sou dono da razão. E espero que os posseiros sem razão ao menos estudem. Ou escutem para então debater.