Jornalista Augusto Nunes agride Glenn Greenwald, que revida

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 24-08-2013 - Retrato do jornalista Augusto Nunes, em seu apartamento em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os jornalistas Augusto Nunes e Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, trocaram socos durante o programa Pânico, da rádio Jovem Pan, nesta quinta-feira (7).

Os dois iniciaram uma dura discussão, quando Glenn passou a chamar Nunes de covarde, que então partiu para a agressão física. "Você é um covarde, Augusto Nunes. Você é um covarde", disse Glenn.

Nunes responde: "Se falar em covarde... Eu vou te mostrar". Nesse momento, Augusto agride Glenn. "Eu te mostro o que é covarde. Eu te mostro quem tem coragem [inaudível]. Eu te mostro quem tem", seguiu Nunes. Glenn, em seguida, parte para cima e tenta acertar um soco no rosto de Nunes.

Glenn é fundador do The Intercept Brasil, site que tem publicado uma série de reportagens baseadas em mensagens trocadas no aplicativo Telegram por procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato e pelo ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.

As mensagens obtidas pelo Intercept e divulgadas até este momento pelo site e por outros órgãos de imprensa, como a Folha de S.Paulo, expuseram a proximidade entre Moro e os procuradores da Lava Jato e colocaram em dúvida a imparcialidade como juiz do atual ministro da Justiça no julgamento dos processos da operação.

Quando as primeiras mensagens vieram à tona, em 9 de junho, o Intercept informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. O pacote inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, no aplicativo Telegram, a partir de 2015.

Em resumo, no contato com os procuradores, Moro indicou testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre o ex-presidente Lula, orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Moro tem repetido que não reconhece a autenticidade das mensagens, mas que, se verdadeiras, não contêm ilegalidades.

No programa da Jovem Pan, ​Glenn chamou o outro jornalista de covarde ao relembrar um comentário feito anteriormente por Augusto na rádio, no qual mencionou os dois filhos adotados pelo jornalista americano e por seu marido, o deputado federal David Miranda (PSOL).

Na ocasião, Augusto indagou: "Quem é que cuida das crianças que eles adotaram? Isso aí o juizado de menores deveria investigar".

"O Glenn Greenwald passa o dia tendo chiliques no Twitter ou trabalhando como receptador de mensagens roubadas. Esse David fica em Brasília ou lidando com rachadinhas, que essa é a suspeita aí, que isso dá trabalho", afirmou ainda o jornalista.

Glenn compartilhou um vídeo com a fala e relatou que fez "jornalismo em dezenas de países no mundo democrático. Um limite absoluto, até em combate político, é não usar os filhos menores como alvo".

Na época, Augusto respondeu a ele em uma rede social: "Glenn me acusou de alvejar seus filhos. Fake news. Apenas constatei q ele lida em tempo integral com mensagens roubadas, o maridão só pensa no caso da rachadinha em q se meteu e nenhum tem tempo p/ cuidar dos filhos. Pare de mentir, Glenn. É outro mau exemplo para as crianças".

Nesta quinta-feira, depois da agressão ao companheiro, David reiterou as afirmações que Glenn fez diretamente a Augusto. O parlamentar escreveu em uma rede social: "Augusto Nunes é um indigno. Covarde, sem escrúpulos. É do tamanho da reação lamentável que teve hoje na Jovem Pan".

O deputado também disse: "Esse canalha usou nossos filhos p/ atacar o trabalho do meu marido. É tão covarde que não consegue escutar a verdade cara a cara e partiu para agressão física. Se os veículos em que ele trabalha forem sérios, vão demitir esse jornalista sem ética e escrúpulos. #SomosTodosGlenn".

Procurado pela reportagem, Glenn ainda não comentou o assunto. O jornalista do Intercept continuou sendo entrevistado pelo programa depois da briga.

Augusto disse que não se arrepende "nem um pouco" do que fez e que ele foi agredido primeiro, verbalmente, pelo americano.

"Eu fui insultado moralmente. Aí adverti para que ele não usasse a palavra 'covarde', que é insultuosa, que é grave. Adverti cinco vezes, ele insistiu. Eu tinha duas opções: ou reagir com altivez ou engolir o insulto. Não tive alternativa", afirmou.

"Eu reagi como qualquer homem reagiria", acrescentou. "O agredido fui eu. Eu reagi a uma agressão."

O jornalista disse ainda que falou a Glenn para "aprender o significado da palavra 'covarde' na língua portuguesa, que é uma acusação grave, e talvez ele não saiba".

Augusto afirmou que fará "a mesma coisa toda vez que for insultado repetidas vezes mesmo diante de uma advertência", que se considera um homem honrado e que, caso Glenn queira tomar providências legais, "ele pode fazer o que quiser".

"Eu me sinto completamente tranquilo. Saí de lá [do estúdio] em paz comigo mesmo. Não havia o que fazer", disse.

O jornalista reiterou que o comentário sobre os filhos que motivou a reclamação de Glenn foi uma ironia.

"Onde eu propus, como ele disse, que ele perdesse a guarda das crianças? Tudo é ilação. Eu disse a ele: 'Prove que eu disse isso, prove que eu sugeri que fosse retirada a guarda das crianças'. Foi um comentário irônico."


CONFIRA ABAIXO O QUE ELES DISSERAM ANTES DAS AGRESSÕES FÍSICAS:

Glenn - Eu acredito [em] fazer diálogo com qualquer um, inclusive com Augusto Nunes. [...] Mas tem limites. E nós temos muitas divergências políticas. Eu não tenho problema nenhum com sendo criticado por meu trabalho. Eu critico ele também. Mas o que ele fez, ele disse neste canal, Jovem Pan, foi a coisa mais feia e mais suja que eu vi na minha carreira como jornalista. [...] Ele disse que um juiz de menores deveria investigar nossos filhos e decidir se nós deveríamos perder nossos filhos, se eles deveriam voltar para um abrigo, com base nenhuma. Acusando que nós estamos abandonando, fazendo negligência com nossos filhos. A coisa mais nojenta que eu vi na minha vida. Eu quero saber se você acredita ainda que um juiz de menores deveria investigar nossa família, com possibilidade de tirar nossos filhos da nossa casa e voltar eles para o abrigo, sem pai, sem mãe, sem família nenhuma. Você acredita nisso?

Augusto - Essa é a prova de que o Brasil criou o faroeste à brasileira, né? É quem tem que se explicar, é quem comete crimes que fica cobrando quem age honestamente. Ouçam o que eu disse. Primeiro vocês vão perceber que ele ainda não sabe identificar ironias. Não sabe identificar um ataque bem-humorado. E eu convido ele a provar em que momento eu pedi que algum juizado fizesse isso. Eu disse apenas que o companheiro dele passa o tempo em Brasília, ele passa o tempo todo lidando com material roubado. E eu falei: quem é que vai cuidar dos filhos? Era isso. É isso.

Glenn - Você é um covarde, você é um covarde. Eu vou falar por que você é um covarde.

Augusto - Não fala de covardia comigo.

Glenn - Você é um covarde, Augusto Nunes. Você é um covarde.

Augusto - Se falar em covarde... Eu vou te mostrar. [Nesse momento, Augusto agride Glenn.] Eu te mostro o que é covarde. Eu te mostro quem tem coragem [inaudível]. Eu te mostro quem tem. Isso aí. Aqui não vai chamar de covarde não, babaca.

Glenn - Você é um covarde, Augusto Nunes.

Augusto - Covarde, mas não apanhou na cara.