Jornalista birmanês perseguido pela junta militar vai pedir asilo na Espanha

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(ARQUIVOS) Nesta foto de arquivo tirada em 18 de dezembro de 2017, o repórter de Mianmar Mratt Kyaw Thu posa em seu escritório em Yangon.

O jornalista birmanês Mratt Kyaw Thu, perseguido pela junta militar de seu país, viajará para a Espanha na terça-feira (1º) para pedir asilo depois de passar quatro semanas em um centro de detenção na Alemanha, informou a agência com a qual colaborou.

"Amanhã ele voará de Frankfurt a Madri para pedir asilo na Espanha. Ele passou quatro semanas em um centro de detenção", disse Ramón Abarca, diretor para o sudeste da Ásia da agência de notícias espanhola EFE, à AFP em uma conversa por telefone de Bangcoc.

O jornalista de 30 anos, embarcará em avião comercial para Madri depois de não ter obtido asilo na Alemanha, acrescentou Abarca, com quem conversou ele no telefone.

Questionado pela AFP, um porta-voz do Ministério do Interior espanhol disse não ter registro oficial de sua chegada e acrescentou que seu caso será tratado de acordo com os regulamentos internacionais de asilo.

Por sua parte, o ministério alemão indicou que o caso de Mratt é "conhecido por eles", sem dar mais detalhes.

A porta-voz da Repórteres Sem Fronteiras na Alemanha, Katja Gloger, pediu ao ministério que respondesse ao "pedido de asilo" e ressaltou que a vida do jornalista "está em perigo".

Colaborador desta agência espanhola desde outubro de 2018, Mratt relatou criticamente sobre a junta depois que ela derrubou a líder civil Aung San Suu Kyi em um golpe em 1º de fevereiro.

A junta emitiu um mandado de prisão contra ele que, segundo seu diretor na EFE, o obrigou a fugir de Rangoon e se refugiar em uma área não controlada pelo exército até conseguir fugir para a Europa.

Desde o golpe, Mianmar vive um caos, com manifestações quase diárias, desobediência civil e uma economia paralisada.

A repressão do exército causou mais de 800 mortes e dezenas de milhares de civis foram deslocados em confrontos entre militares e milícias étnicas, numerosas no país.

De acordo com a RSF, Burma ocupa a 140ª posição entre 180 países no ranking mundial de liberdade de imprensa de 2021.

O jornalista americano Danny Fernster, de 37 anos, foi preso no dia 24 de maio enquanto tentava embarcar em um avião para deixar Mianmar, e seus chefes permanecem sem notícias dele nesta segunda-feira.

Fernster foi editor-chefe da Frontier Myanmar, precisamente o meio onde Mratt publicou seus artigos sobre conflitos étnicos na Birmânia, que lhe renderam o prêmio AFP Kate Webb em 2017.

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