Jornalista Bruno Thys lança o seu primeiro livro de ficção, que sonha levar ao teatro e ao cinema, com Fagundes e Spielberg

Por décadas, Bruno Thys escreveu sobre a realidade do dia a dia, seja no cargo de repórter ou editor de veículos como o “Jornal do Brasil”, a “Veja Rio” e o EXTRA, onde também atuou como diretor de redação. Agora, o jornalista de formação experimenta o universo da ficção, apresentando seu primeiro livro solo, “O canto do violino”.

— Como Nelsinho Motta genialmente fala, todo mundo que escreve tem suas “sobras completas”: um rascunho de texto para teatro, um romance esboçado, alguns contos... Enfim, ideias que a gente vai guardando nas gavetas do computador e, se juntar tudo, dá um livro — explica o carioca, que resgatou um quase-conto, em meados do ano passado, e o desenvolveu até chegar a uma novela: — É mais que um conto e menos que um romance. E, como toda novela, a história se resolve no final. Só não posso dar spoiler...

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A trama tem como protagonista um advogado carioca chamado Carlos, na faixa etária dos 40, que compra pela internet um violino usado. Ele pede a um luthier para aprontá-lo e fica sabendo que foram encontradas peças dentro do instrumento — elas elas, um texto em outro idioma. Instigado, sai em busca de seus significados e de seu antigo dono.

— O personagem vai fazendo um trabalho jornalístico de apuração, é meio detetive. A narrativa é muito verossímil. O que não é real no livro poderia ser... — analisa Thys, acrescentando: — Numa segunda camada de leitura, o violino é uma metáfora da vida. Ele ri, chora, expressa todos os sentimentos humanos quando bem tocado. Eu nunca me aventurei em suas cordas, mas arranho o violão e toco piano com frequência. A música é o pano de fundo de toda uma existência nessa ficção e na minha própria realidade. Ela é um componente forte na minha formação.

Ambientada no Rio de Janeiro de hoje e na Europa da primeira metade do século passado, a história também aborda temas como aceitação e preconceito.

— O livro tem um sentido humanístico, aposta nos valores mais fundamentais do ser humano, a meu ver: o direito ao silêncio, o respeito à dor, a solidariedade. Eu podia tê-lo escrito há dez, 15 anos. Mas acho que ele se impôs a mim neste momento. Juntou a pandemia com o mal-estar que a gente está vivendo na economia, na política, no social. Passamos por uma regressão, um déficit do que realmente é importante. O livro não é um remédio, mas emerge nesse contexto.

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No prefácio, o rabino, escritor e dramaturgo Nilton Bonder diz que “Bruno nos conduz a uma viagem a suas próprias raízes: a herança judaica de seus antepassados no Leste Europeu, a música e o Rio de Janeiro”.

— É uma história que tem muito a ver com as minhas raízes judaicas. Fala de rejeição, que também é um luto. Quando você repele uma pessoa, por preconceito de raça, cor ou religião, é a pior coisa. Imagina o trauma e a dor de ser olhado com desconfiança! — observa Thys.

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Apesar da identificação espelhada na escrita, o autor enfatiza que não se trata de um livro autobiográfico:

— Tive a preocupação de não querer ser totalmente reconhecido nessa ficção. Eu estou ali em todos os seis personagens, de alguma forma. Copacabana, por exemplo, está presente, e eu nasci no Bairro Peixoto.

Após o lançamento, o autor nutre a expectativa de que “O canto do violino” alcance outros setores da cultura.

— Quero trabalhar o livro para que vire peça de teatro, filme, série, audiolivro... Gostaria que o (cineasta americano) Steven Spielberg o filmasse e que Antonio Fagundes fizesse um dos papéis. Nem menos nem mais — sugere o autor da única obra de ficção do catálogo de 30 títulos da Editora Máquina de Livros.

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