Jornalista holandês é baleado no centro de Amsterdã, e ataque gera comoção

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um jornalista holandês especializado em investigar criminosos foi baleado na noite de quarta-feira (7) em Amsterdã e está em estado grave.

Peter R. de Vries, 64, conhecido apresentador de TV holandês, levou vários tiros em uma rua no centro de Amsterdã, por volta das 19h30 (14h30 de Brasília). Ele saía de seu estúdio após participar de uma reunião.

Testemunhas relataram ter ouvido cinco tiros e visto que uma das balas atingiu o jornalista na cabeça, informou a televisão pública NOS. "Ele está lutando para sobreviver", disse a prefeita de Amsterdã, Femke Halsema.

Segundo o chefe da polícia de Amsterdã, Frank Paauw, três pessoas foram presas: duas delas, em um veículo em uma rodovia, e a outra, ainda na cidade onde o crime foi cometido. Entre essas pessoas está o suposto autor dos tiros. Paauw não deu detalhes sobre as detenções ou do motivo do crime.

Vries é vencedor de um prêmio Emmy Internacional pela investigação do desaparecimento de uma adolescente americana em Aruba em 2005. Ao longo de sua carreira, ele já havia sido ameaçado de morte várias vezes. No Twitter, seu filho publicou que "o pior pesadelo [da família] se tornou realidade".

Ataques armados são raros na Holanda, mas mortes relacionadas ao tráfico de drogas têm crescido à medida em que grupos criminosos competem por mercado. Em 2019, um advogado que atuava em um caso de forte repercussão no país, no qual Vries atuou como conselheiro de uma das testemunhas, foi morto em frente à sua casa em Amsterdã.

O atentado provocou reação de políticos holandeses e por toda a Europa e foi visto como atentado à liberdade de imprensa.

"O ataque a Peter R. de Vries é chocante e inconcebível. É um ataque a um jornalista corajoso e, por extensão, à liberdade de imprensa, que é tão essencial para nossa democracia e nosso Estado de Direito", disse o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, horas após o ataque.

"Este é um ataque contra o jornalismo, um pilar do nosso Estado de Direito", disse o rei Willem-Alexander, da Holanda, em uma manifestação vista como prova da importância do jornalista, uma vez que a realeza não costuma comentar casos individuais. "E é também um ataque à nossa ordem constitucional", disse.

"É um dia sombrio, não apenas para aqueles próximos a Peter R. de Vries, mas para a liberdade de imprensa", disse o ministro holandês da Justiça e Segurança, Ferdinand Grapperhaus. "Queremos que qualquer jornalista deste país possa realizar uma investigação em total liberdade. E essa liberdade foi claramente atacada esta noite", acrescentou.

O ataque também gerou reações fora da Holanda. "Este é um crime contra o jornalismo e um ataque aos nossos valores democráticos", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, no Twitter. "Continuaremos a defender a liberdade de imprensa incansavelmente."

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, afirmou que a mídia é a espinha dorsal da democracia. "Ataques a jornalistas são ataques contra todos nós", disse.

Tom Gibson, representante para a União Europeia do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, ONG americana de defesa da liberdade de imprensa, afirmou que "os jornalistas na União Europeia devem ser capazes de investigar crimes e corrupção sem temerem por sua segurança".

Nos últimos "rankings" de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Holanda ficou em sexto lugar entre 180 países, atrás de Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Costa Rica.

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