Jornalistas fazem manifestos de repúdio a ataques a repórter da 'Folha'

RIO - O ataque à reputação da jornalista Patrícia Campos Mello, na CPMI das Fake News e no Twitter do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), levou mulheres, de veículos de norte a sul do país, a assinar manifestos em repúdio às difamações contra a repórter. Hans River do Nascimento, um ex-funcionário da empresa Yacows, afirmou, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito, que a jornalista se “insinuou sexualmente”a ele em troca de uma reportagem, de outubro de 2018, sobre disparos em massa via Whatsapp, durante a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência. Hoje as redações do país são compostas por mais de 60% de profissionais mulheres.

Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, reproduziu as declarações de Nascimento em seu Twittter, e, mais tarde, no plenário da Câmara.

- Fiquei aqui perplexo em ver, mas não duvido, que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans (River, ex-funcionário da Yacows), em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro - disse Eduardo.

A reação das jornalistas ganhou corpo após nota da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que criticava a postura do ex-funcionário da Yacows e a postura do deputado.

O presidente da Abraji, Marcelo Träsel, lembra que esse não é um caso isolado. Para ele, essa é uma estratégia para desacreditar os fatos. O manifesto das mulheres será publicado no site a Abraji.

- Eles procuram fazer campanha para desacreditar os fatos desacreditando o repórter. Nesse caso, um deputado federal se colocou como cúmplice de um caso de machismo contra uma profissional extremamente reconhecida por sua atuação profissional. É um óbvio exemplo de misoginia. Aos ataques na rede seguem sucessivos comentários machistas, que tentam descredenciar a repórter. Há toda uma massa de bots, de blogueiros que reproduzem isso. Eduardo Bolsonaro se tornou cúmplice de mais uma grave ataque à imprensa – disse Träsel.

Não é a primeira vez que Patrícia Campos Mello é atacada. O assédio começou com a publicação da reportagem “Empresários bancam campanha contra o PT pelo Whatsapp”, assinada por ela, também na Folha. O texto da nota lembra que Patrícia é uma das jornalistas mais respeitadas do país, cobre relações internacionais e direitos humanos há décadas.