Humala denuncia "privação ilegal" de liberdade por demora em libertação

Lima, 27 abr (EFE).- O ex-presidente peruano Ollanta Humala denunciou nesta sexta-feira que ele e a sua esposa Nadine Heredia passaram para uma espécie de "privação ilegal" da liberdade, devido à demora em executar a libertação aprovada para ambos pelo Tribunal Constitucional (TC).

Através de uma mensagem no Twitter, Humala afirmou que "a partir deste dia, passamos de uma prisão preventiva arbitrária a uma privação ilegal da nossa liberdade", um dia depois de o TC ter aprovado por maioria os recursos de habeas corpus apresentados pelo casal.

"Hoje devíamos já estar com nossos filhos. As sentenças sobre habeas corpus são de cumprimento imediato, não depois de quatro dias", acrescentou Humala perante a possibilidade de que sejam libertados apenas na próxima segunda-feira.

O advogado de Humala, Wilfredo Pedraza, havia afirmado horas antes que a resolução do TC tinha demorado quase o dia todo para ser remetida ao Poder Judicial, que deve ordenar a libertação de Humala e Heredia, investigados por supostos repasses ilegais às suas campanhas eleitorais de 2006 e 2011.

Por sua parte, o advogado de Heredia, Alberto Otárola, lamentou que o expediente do Tribunal Constitucional não tenha sido recebido hoje pelo Poder Judicial porque chegou depois da hora de fechamento da mesa.

"Por falta de sensibilidade constitucional ambos ficarão ilegalmente detidos por mais dois dias", escreveu Otárola no Twitter.

Nesse sentido, o advogado solicitou ao Poder Judicial que "na segunda-feira determina sua imediata liberdade".

O ex-presidente (2011-2016) e sua esposa são investigados pelos supostos repasses irregulares às suas campanhas eleitorais de 2006 e 2011 por parte do governo venezuelano e da Odebrecht, respectivamente.

De acordo com os depoimentos dos representantes da Odebrecht aos procuradores peruanos, Heredia recebeu US$ 3 milhões da construtora brasileira para a campanha de 2011, razão pela qual são investigados por suposta lavagem de dinheiro e estão detidos em prisão preventiva desde julho do ano passado.

Vários simpatizantes do Partido Nacionalista, fundado por Humala e Heredia, esperaram o dia todo no lado de fora do presídio da Direção de Operações Especiais (Diroes) da Polícia Nacional para saudar o ex-governante e mantinham-se em vigília no local.

A decisão do Tribunal Constitucional revogou a prisão preventiva por considerar que esta medida cautelar era excessiva.

A sentença é fruto dos diversos recursos legais apresentados pelo casal para recuperar sua liberdade, enquanto em redes sociais denunciavam sofrer uma detenção injusta, ao contrário de outros políticos investigados pelo escândalo da Odebrecht que permanecem livres.

A justiça peruana investiga a rota de US$ 29 milhões que a Odebrecht admitiu ter repassado a funcionários peruanos para adquirir obras de infraestrutura entre 2005 e 2014, períodos que compreendem os governos de Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala. EFE