Jornalistas são incluídos em investigação sobre opositora Chamorro na Nicarágua

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Ao menos seis jornalistas foram intimados pelo Ministério Público da Nicarágua no âmbito de uma investigação contra a candidata à Presidência Cristiana Chamorro, a quem o governo do presidente Daniel Ortega acusa de lavagem de dinheiro.

"Eu não sei do que podem me acusar, não sei na qualidade de testemunha do quê estou aqui, não sei de que lavagem de dinheiro falam", disse a correspondente da Univisión, María Lili Delgado, uma das intimadas. Ela foi avisada que podem voltar a ser convocada.

A intimação "urgente" foi enviada a Delgado na segunda-feira, assim como à jornalista Verónica Chávez, coproprietária do veículo digital 100% Noticias; a Roberto Cárcamo, da ABC stereo; e ao empresário Fabio Gadea, dono da Radio Corporación, uma das mais antigas do país.

Além disso, foram intimados os jornalistas Lourdes Arróliga e Guillermo Medrano, que trabalhavam na Fundação Violeta Barrios de Chamorro (FVBCH), que encerrou as operações em fevereiro, afetada por uma lei que exigia reportar a recepção de fundos recebidos do exterior e se declarar como agente estrangeiro.

Os comunicadores se recusaram a depor sem a presença de um advogado. Mas foram advertidos de que se fossem com a defesa, sua condição seria alterada de "testemunha a acusado", denunciou Delgado, que trabalhou para a FVBCH no passado.

Ele explicou que sua relação com a ONG foi na coordenação de mídia e capacitação de jornalistas. "Isso não é crime", afirmou.

O interrogatório começou na sexta-feira passada, quando o governo vinculou Cristiana Chamorro à lavagem de dinheiro através da fundação que leva o nome de sua mãe, a ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997), e que atua na promoção da liberdade de expressão.

No mesmo dia, a polícia realizou batidas nos escritórios do veículo digital Confidencial, dirigido por seu irmão, Carlos Fernando Chamorro, que deu cobertura aos prolongados protestos antigovernamentais de 2018 e que terminaram com 328 mortos, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Para Ortega, tratou-se de um "golpe de Estado" frustrado promovido nos Estados Unidos.

Cristiana considerou o caso contra ela como "uma farsa grosseira" e denunciou que suas contas bancárias foram congeladas e teve quebrado o sigilo bancário.

A presidenciável tem 13,3% de apoio da população, segundo pesquisa realizada em janeiro pela empresa Cid Gallup, e se alinha como adversária de Ortega, no poder desde 2007 e que, segundo seus opositores, tentará um quarto mandato consecutivo.

Com um processo judicial em aberto, Chamorro poderá ficar de fora da disputa eleitoral de 7 de novembro, segundo as leis da Nicarágua.

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