José Eduardo Agualusa lança seu primeiro livro de fotos, todas feitas na Ilha de Moçambique

Lívia Breves
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88082308_El - Livro Gramática do Instante e do Infinito de José Eduardo Agualusa -.jpg

José Eduardo Agualusa

Quando tinha 12 anos, o escritor angolano José Eduardo Agualusa encontrou, em sua casa, uma velha câmera fotográfica de fole, daquelas com negativos em grande formato. Desse dia em diante, ele não parou de capturar imagens. “Lembro que conseguia uma definição incrível com ela. Gosto tanto de escrever poesia quanto de fotografar”, conta ele sobre esse seu lado artístico ainda pouco conhecido. Mas, agora, a fotografia passa a sair do hall dos hobbies de Agualusa. Esta semana, ele lança “Gramática do instante e do infinito”, sua primeira obra dedicada a esta arte. O livro é lançado pela editora de publicações de arte UQ! Editions, de Lucia Bertazzo, em parceria com a livraria portuguesa Sá da Costa e o selo Urucum.

São fotos feitas na Ilha de Moçambique, cidade insular situada na província de Nampula, na região norte do país africano, durante dois anos. Foi lá que ele e Yara se apaixonaram e viveram a gestação da filha, Kianda Ainur. Clicadas, inicialmente, para serem uma memória da família, a ideia de transformar em livro partiu da editora. Para cada imagem, Agualusa fez um poema. “O livro acompanha a gravidez, o nascimento e o crescimento da Kianda até ela completar um ano”, diz o autor. “A maioria das fotos foi feita com uma Sony Alfa 99, que é uma boa máquina. Mas aquelas que eu considero as mais interessantes foram feitas com uma pequena câmera aquática, muito simples e rudimentar — uma Fujifilm XP. Passei muitas horas na água com ela. Fiz centenas de fotos até conseguir algumas que realmente me agradam, como as imagens de dhows, as pirogas tradicionais, de pescadores chegando ao cais, e de meninos pulando de um pontão, que ficaram distorcidas naturalmente pelas gotas de água na lente”, conta.

Como toda a publicação da UQ!, o livro é cheio de detalhes e surpresas. A encadernação é feita com tecidos moçambicanos, tudo é impresso em fine art em papel de bambu, nas páginas de texto, e de arroz, nas de fotografia. A obra poderá ser reservada por 160 euros (encomendas pelo site www.urucum.com ou pelo e-mail lucia.bertazzo@gmail.com) e cada exemplar vendido terá 30% da renda revertida à Associação Indígena Pykoré, do povo Mebêngôkre-Kayapó da Amazônia.