José de Abreu denuncia Cássia Kis por crime de LGBTfobia: "Ambiente de ódio"

José de Abreu entra na justiça contra Cassia Kis. (Foto: TV Globo/ Divulgação)
José de Abreu entra na justiça contra Cassia Kis. (Foto: TV Globo/ Divulgação)

O ator José de Abreu, que está no ar em "Mar do Sertão", entrou com uma notícia-crime no Ministério Público Federal contra Cássia Kis, após as declarações homofóbicas da atriz. Pai de Bia, mulher transexual, o ator está revoltado com o posicionamento da ex-colega nas últimas semanas.

“Fiquei muito chocado, triste com o que a Cássia falou, porque tenho uma preocupação grande com a minha filha. Ela mora na Califórnia, que é um local super aberto, mas quando vem pra cá, fico bastante tenso, porque o Brasil é o país que mais mata trans”, disse para o site Heloisa Tolipan.

“Trabalho em um ambiente onde a grande maioria é gay, lésbica, enfim, LGBT. Aí vem a Cássia Kis com mais de 40 anos de carreira e fala isso! As pessoas ficaram espantadas, porque não esperavam isso de uma colega. A Globo, inclusive, vem trabalhando com inserção contra todos os tipos de preconceito, abrangendo o seu quadro”, disse o ator. Cassia atualmente está no ar como a Cidália, em "Travessia", de Glória Perez. A presença da atriz no elenco da novela tem incomodado alguns atores. Eles acham que Cássia precisa ser punida pelas frases criminosas.

"Criava um ambiente de ódio"

José, que já participou de alguns trabalhos como par romântico da atriz, como em “O Rebu” e “Os Dias Eram Assim”, falou sobre o comportamento de Cássia ao longo da carreira.

“No ‘Porto dos Milagres’ a relação foi muito difícil, não só comigo, mas com todo mundo. A impressão que a gente tinha é que ela criava um ambiente de ódio contra ela, que era a maneira dela aparecer”, relembra. "Está todo mundo falando que está um ambiente horrível na novela dela. Eu imagino”.

A TV Globo se posicionou através de uma nota sobre os comentários homofóbicos de Cassia Kis. "A Globo tem um firme compromisso com a diversidade e a inclusão e repudia qualquer forma de discriminação", declarou.

Ação na Justiça

Além do ator, a psicóloga Paula Dalaio e instituições como Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) e o Grupo de Advogados Pela Diversidade Sexual e de Gênero movem juntos a ação. A causa é representada pela advogada Luanda Pires, especialista em Direito Antidiscriminatório. Na parte Cível existe uma ação civil coletiva, em que pede indenização, em razão do crime de LGBTfobia. O valor será revertido às causas à população LGBTQIAPN+.

"A gente avisa ao Ministério Público da ocorrência do crime para ele apurar e, após investigação preliminar, propor uma ação penal em desfavor da Cássia em razão do crime de LGBTfobia. Além disso, na parte Cível propomos uma ação civil coletiva, pedindo uma indenização, cujo valor será revertido à população LGBTQIA+. E, na Via Administrativa, ingressamos na Secretaria de Justiça de São Paulo, com uma denúncia pelos mesmos fundamentos, por cometer LGBTIfobia”, explica Luanda.