Jove é só mais um: falta de responsabilidade afetiva é cruel e comum fora de "Pantanal"

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Jove não foi sincero com Nayara em
Jove não foi sincero com Nayara em "Pantanal" (Foto: Reprodução/Globo)

Nayara (Victoria Rossetti) sofreu, procurou ajuda, partiu para cima de Juma (Alanis Guillen) e foi vista como louca após Joventino (Jesuíta Barbosa) aparecer namorando a filha de Maria Marruá (Juliana Paes) em "Pantanal". O que nem todo mundo considerou é que o drama da personagem, odiada por vários motivos compreensíveis, é muito comum fora da ficção. Nayara (Victoria Rossetti) não é louca e Jove (Jesuíta Barbosa) não a traiu, mas faltou com respeito, responsabilidade emocional e consideração.

Na trama, Nayara (Victoria Rossetti) frequentava a casa de Jove (Jesuíta Barbosa), os dois conversavam sobre diversos assuntos, transavam e viviam como namorados nas redes sociais. Uma das preocupações dela com o término, inclusive, era o constrangimento perante os seguidores que sabiam que os dois viviam juntos. Embora nunca tivessem falado sobre relacionamento sério, a conexão existia e Joventino (Jesuíta Barbosa) não foi leal ao aparecer com uma namorada sem antes conversar e colocar um ponto final com a moça que sempre esteve ao seu lado.

O que para o filho de Zé Leôncio (Marcos Palmeira) não significava nada, a jovem encarava como uma relação. E ela não está errada. Toda relação é uma relação. O óbvio também precisa ser dito. Pessoas responsáveis conversam sobre o que sentem e abrem o jogo sobre suas expectativas quando se envolvem com alguém. Não é sobre se prender ou namorar sem querer para agradar quem está do lado. É sobre ter cuidado e respeito a ponto de não gerar desconforto e alimentar falsas esperanças. É ser livre e deixar o outro livre para decidir se essa relação faz bem, atende seus desejos e vale a pena seguir em frente. Adiar esse tipo de conversa, além de ser uma tragédia anunciada (alguém sempre vai sair magoado), faz com que os ciclos se encerrem mal resolvidos.

Jove e Nayara viviam juntos (Foto: Reprodução/Globo)
Jove e Nayara viviam juntos (Foto: Reprodução/Globo)

Nayara (Victoria Rossetti) e Jove (Jesuíta Barbosa) tinham tudo para serem amigos mesmo com o fim da relação, pois construíram uma história juntos e tinham pontos em comum. A forma que ele terminou (ou melhor, optou pelo silêncio) fez com que os dois se tornassem estranhos e a cumplicidade foi pelo ralo. Como confiar em alguém assim? Como manter amizade com alguém que não teve a honestidade de falar o que sentia? Como acreditar que a amizade continua se ele nem a considerou "amiga" o suficiente para compartilhar que se apaixonou por outra pessoa?

O que aconteceu na novela não fica só na ficção. É cada vez mais comum ouvirmos relatos de pessoas que estavam ficando com alguém e descobriram, do nada, que o parceiro ou parceira assumiu relacionamento com outra pessoa. O sumiço também é clássico. A pessoa conversa, manda mensagem, marca encontros e quando você menos espera o tom fica diferente, deixa no vácuo, dá desculpas para não encontrar mais. Falta coragem para dar uma satisfação.

O que fica são os traumas, os constantes conselhos para encarar uma terapia. Mas a verdade é que a culpa é de quem age como Joventino (Jesuíta Barbosa), que vai embora sem avisar. Quem não sabe o que quer e não tem coragem de falar o que espera de uma relação não está pronto para se relacionar com ninguém.

Nayara ficou decepciona em
Nayara ficou decepciona em "Pantanal" Foto: Reprodução/Globo

Segundo a terapeuta Ana Carolina Maciel, agir com sinceridade é o melhor e mais justo para todos. "Se alguém está apaixonado por você e quer ter um relacionamento sério e você não sente o mesmo, ser sincero em relação ao que você sente é ter responsabilidade afetiva, não é sobre ser recíproco, é sobre ser sincero, é ter respeito pelas pessoas que você se relaciona e principalmente por você mesmo", afirma.

O psicólogo e escritor André Barbosa, que costuma dar conselhos nas redes sociais, também reitera que não é sobre atender todas as necessidades do "parceiro". "Responsabilidade afetiva não quer dizer que você precisa corresponder aos sentimentos do outro. Mas sim, que é preciso ser claro sobre o que sente e não alimentar algo que não pretende levar para frente no futuro", diz ele.

O recado é para todos

A falta de responsabilidade não é exclusividade dos homens (embora seja mais comum por vivermos em uma sociedade machista e patriarcal). O abandono emocional também está presente no comportamento de mulheres, seja em relações heteronormativas ou homoafetivas.

Capa da revista Vogue deste mês, Anitta é bissexual e a favor dos relacionamentos abertos, mas acredita que o respeito é essencial. Ela compartilhou uma visão que casa bem com a discussão do momento em "Pantanal".

"Se a pessoa fizer com que eu me sinta assim (bem), eu não tô nem aí se ela transou com outra. Nem me conta, faz o que quiser e volta. Se eu continuar me sentindo amada, desejada, especial, não tô nem aí para o que a pessoa faz quando não estou presente. A gota d’água para mim é me expor, prejudicar meu trabalho, não torcer por mim”, declarou, provando que a responsabilidade afetiva nada mais é que respeitar o outro, saber onde se está pisando.

Como pontuado pela ativista Tia Má, que se sensibilizou com as cenas de Nayara (Victoria Rossetti) em "Pantanal", "na vida real, esse tipo de sumiço, de desaparecimento sem explicação, adoece e faz quem é abandonado sentir culpa e acreditar que não sabe se relacionar. Quer ir embora, vá…mas tenha hombridade para falar! Na novela e na vida".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos