Jovem branco tem duas vezes mais chance de chegar à universidade

Raphaela Ribas
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Foto: Hermes de Paula
Foto: Hermes de Paula

O IBGE traduziu em números a desigualdade racial em escolas e no trabalho: os profissionais brancos têm os melhores salários e acesso a empregos formais com ocupações que pagam mais. Também têm até duas vezes mais chances de entrar na universidade.

Os dados fazem parte da pesquisa anual Síntese dos Indicadores Sociais, feita com dados coletados em 2019 e divulgada nesta quinta-feira.

De acordo com o levantamento, a quantidade de negros em atividades que exigem menos instrução escolar e salários mais baixos é bem maior que de brancos. Eles são maioria na agropecuária (62,7%), na construção (65,2%) e nos serviços domésticos (66,6%).

Já os brancos atuam predominantemente em cargos nas áreas financeira, da informação e outras atividades na administração pública, cujos rendimentos são bastante superiores à média e que costumam exigir ensino superior.

Isso se reflete diretamente no bolso. Em 2019, população ocupada de cor ou raça branca ganhava em média 69,3% mais do que a preta ou parda, considerando-se o mesmo número de horas trabalhadas.

A analista de gerência de indicadores sociais do IBGE, Luanda Botelho, ressalta que as diferenças raciais nos ganhos e na carreira começam na escola. Na faixa de 18 a 24 anos, um jovem branco tem, aproximadamente, duas vezes mais chances de frequentar ou já ter concluído o ensino superior que um jovem de cor ou raça preta ou parda.

— Os indicadores mostram que os pretos e pardos têm menos acesso à educação desde o início da fase escolar e isso vai se agravando no percurso, atingindo maior descompasso no nível superior. E, no Brasil, ter nível superior conta muito. Mas não são apenas estas as diferenças. As desigualdades continuam na carreira também.

O levantamento do IBGE mostra ainda que, durante a trajetória profissional, seja em atividade ou não, a desigualdade se mantém.

A informalidade de negros e pardos é bem superior à de brancos e, neste ano, a Síntese trouxe um recorte de raças inédito, o qual revela que a taxa de desocupação de pessoas com o mesmo nível escolar é de 13,6% na população preta e de 9,2% na branca.

— Esta desigualdade entre brancos e negros e pardos é estrutural. Mesmo com diploma, a diferença pode diminuir um pouco, mas nunca fica zerada — lamenta Luanda.