Jovem com deficiência intelectual denuncia ter sido estuprada pelo vizinho no PR: 'ele fez vídeo no celular'

Uma jovem com deficiência intelectual, de 24 anos, foi abusada sexualmente por um vizinho, na região de Apucarana, no Paraná. O caso aconteceu na noite do último dia 1º, quando Alanys Fernanda Cândido da Costa saiu de casa sozinha. De acordo com a mãe da vítima, Daniela Fernanda da Silva, o suspeito, que é amigo do pai da jovem, a encontrou caminhando e a levou para a casa dele, no bairro Dom Romeu Alberti. No local, o homem deu bebida alcoólica para a Alanys, mandou ela tirar a roupa e filmou o ato sexual.

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A vítima, que não costuma sair sozinha de casa, desapareceu no domingo, por volta de 19h. Ao se dar conta, Daniela conta que imediatamente foi procurá-la e pediu ajuda nas redes sociais. Sem resposta, a mãe foi até a delegacia fazer um Boletim de Ocorrência (BO). Segundo Daniela, ela desconfiava que o vizinho pudesse estar com a filha, pois ele já havia a assediado antes e estava rondando a casa da família na última semana.

— Ele conheceu a Alanys na casa do pai dela, onde ela passa os finais de semana, e minha filha já tinha me contado que o rapaz já havia tocado nela, mesmo sabendo que ela tem deficiência. A Alanys não tem noção das coisas, a deficiência dela faz com que ela tenha uma mentalidade infantil e ele se aproveitou dessa fragilidade — relata a mãe.

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O GLOBO também ouviu a vítima, que disse que o suspeito falou que daria um presente para ela caso ela topasse ir na casa dele. Quando ela chegou ao local, o homem a entregou calcinhas, um rímel e um delineador, e pediu para que ela dançasse para ele, antes de estuprá-la.

— Ele me chamou na moto, depois me deu Vodka. Eu disse que não queria dançar, mas ele mandou eu fazer. Disse que eu era gostosa. Eu disse que não queria fazer aquilo, mas ele fez e quando eu estava sem roupa ele fez o vídeo no celular — detalha a vítima.

Suspeito pediu sigilo

A jovem foi encontrada pela mãe na tarde de segunda-feira (2), no bairro Núcleo Habitacional Mathias Hoffman, em Apucarana, andando na rua sozinha. Ao chegar em casa, Alanys relatou o que tinha acontecido e Daniela realizou um novo BO, desta vez, por estupro. Segundo a vítima, o suspeito pediu para que ela não contasse para ninguém sobre o crime.

— A minha filha depende de mim para tudo, até para tomar banho. Ela faz uso de remédios psiquiátricos. Eu estou indignada que ele teve a coragem de abusar dela. Eu só quero que ele pague pelo o que fez. Agora, quando vou ao banheiro levo ela junto, com medo de ela fugir e acontecer tudo de novo — desabafa Daniela, relatando, em seguida, que, quando fez o BO, não foi orientada pela polícia a dar o PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV) para a filha, coquetel utilizado após exposição ao sexo sem proteção e em casos de violência sexual. Alanys teve acesso ao medicamento na terça-feira (3), um dia depois da denúncia.

Ainda na terça-feira (3), Alanys foi encaminhada ao Instituto Médico Legal para realizar o exame sexológico para constatar se houve ato sexual. O caso foi registrado na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de Apucarana e é investigado como estupro de vulnerável.

Até o momento, a polícia não colheu depoimento do suspeito e nem analisou as supostas gravações que ele teria feito da vítima. O caso corre em segredo de justiça.

— Estamos fazendo diligências para colher o depoimento do suspeito, que é vizinho da vítima, a partir do relato dela. Estamos trabalhando para solucionar o caso o mais rápido possível — informou a escrivã de polícia Elaine Gonçalves, da DEAM de Apucarana.

Ativista cobra agilidade nas investigações

A ativista Renata Borges ajudou nas buscas por Alanys através da divulgação do caso nas redes sociais e encaminhou a denúncia ao Ministério Público do Paraná, à ONU Mulheres e à Comissão de Direitos Humanos da OAB. Até o momento, os órgãos não se posicionaram sobre as investigações.

"Gostaríamos de solicitar urgência na apuração do caso e a possibilidade da retirada do telefone-celular do suspeito, sendo analisado o armazenamento no cartão de memória do celular ou até mesmo se existe pendrive com imagens e vídeos da Alanys em possível ato sexual. Sendo mais específica, uma perícia no celular do abusador. E também se o mesmo faz parte de uma rede não autorizada de compartilhamento de vídeos de pessoas em atos sexuais", escreveu a ativista.