Jovem diz que não pode ver ferimento no corpo do irmão morto em Paraisópolis

TAYGUARA RIBEIRO
SÃO PAULO, SP, 01.12.2019: PARAISÓPOLIS-SP - Moradores de Paraisópolis realizam uma manifestação contra a violência da Polícia Militar. O baile funk onde morreram nove pessoas pisoteadas nesta madrugada (1), mais conhecido pela sigla

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A irmã do adolescente Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 anos, deixou o IML reclamando que não pode ver o corpo do irmão, morto após ação da PM durante baile funk de Paraisópolis neste domingo (1). 

"Ele está muito machucado na cabeça. Capturaram ele de qualquer jeito. Ele estava com a barriga coberta, não me deixaram ver. Eu pedi para tocar ele, não me deixaram tocar ele", disse Fernanda Santos. 

Segundo ela, os ferimentos no corpo do jovem aparentam ser de agressão. "Tem só um galinho (na cabeça), a mão dele está intacta, do joelho para baixo também. Isso não foi pisoteamento."

Fernanda ainda diz que os amigos tentaram socorrer Denis, mas os policiais não permitiram. "Todo mundo sabe o que foi. Um menino negro, na favela, curtindo um baile. Ele caiu, um amigo foi socorrer e um policial falou 'pode deixar que a gente cuida dele'. Depois colocou ele [o amigo] para correr."

Dennys morava com a família na Vila Formosa (zona leste de SP).

O Agora questionou a Secretaria da Segurança Pública, sob a gestão João Doria (PSDB), sobre o procedimento do IML de não deixar a família ver o corpo de Dennys, mas não recebeu a resposta até a publicação desta reportagem.