Jovem é expulso de shopping em Pernambuco por usar símbolo do Nazismo no braço

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(Foto: Reprodução/Redes sociais)
(Foto: Reprodução/Redes sociais)
  • Após repercussão do caso nas redes sociais, o secretário de Turismo de Maceió foi desligado do cargo por defender o uso da suástica como liberdade de expressão

Texto: Lenne Ferreira

Um adolescente de 17 anos foi expulso de um shopping de Caruaru, no agreste pernambucano, por usar uma braçadeira com a imagem de uma suástica, símbolo nazista, no braço. O vídeo do momento em que ele foi abordado por seguranças do centro comercial viralizou na internet, mas não foi apenas o jovem que não viu problema em andar na rua propagando o regime alemão que matou milhares de pessoas, incluindo negros e negras. O secretário de Turismo de Maceió, Ricardo Santa Ritta, declarou que o uso do elemento representava liberdade de expressão.

“Hoje descobri que usar qualquer elemento com a suástica é crime federal no Brasil. Pensava que a liberdade de expressão permitisse”, escreveu o secretário. A postagem, que revela o racismo velado por parte de gestores públicos, levou à demissão do secretário, que foi informada pela Prefeitura de Maceió via redes sociais.

Segundo o artigo 20, inciso 1, da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo". A pena é de reclusão de um a três anos, além de multa. Em nota, o Caruaru Shopping disse que "repudia toda e qualquer forma de apologia ao movimento nazista".

“A liberdade de expressão não permite que alguém seja racista ou utilize do maior símbolo racista, reconhecido mundialmente. Imagina se tivesse um símbolo que simbolizasse o estupro e uma pessoa usasse na rua?”, questiona o cientista político Carlos Martins. 

“Ele tentou criar uma pauta bomba para ganhar repercussão midiática em torno dele. Um secretário municipal de turismo questionar o princípio de liberdade de expressão para um sujeito andar na rua com uma suástica. A gente não vai admitir o racismo sutil, velado ou declarado”, complementa Martins.

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O Nazismo foi uma doutrina do partido do movimento nacional socialista alemão fundado e liderado por Adolf Hitler (1889-1945), que pregava a superioridade branca entre as raças. “O Nazismo se tornou uma doutrina racista que defendia a supremacia de uma raça ariana em detrimento da inferiorização de outras. 

Para o Nazismo, os negros constituíam um povo de raça inferior e, assim como os judeus, foram os alvos preferenciais. Quando o sujeito usa o maior símbolo do Nazismo, que é a suástica, ele está fazendo propaganda dessa estrutura de pensamento racista. Isso não constitui liberdade de expressão porque ela tem limites. A legislação brasileira define que o uso da suástica é crime”, conclui Martins, que também integra o Instituto Negro de Alagoas (Ineg), entidade que já denunciou outras práticas de racismo institucionalizado no Estado.

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