Jovem grávida morta em ação policial já tinha escolhido nomes para bebê

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Os nomes selecionados por Kathlen foram postados nas redes sociais em um texto que relatava a experiência e inspirações da jovem na gravidez. (Foto: Reprodução/Instagram/@eukathlenromeu)
Os nomes selecionados por Kathlen foram postados nas redes sociais em um texto que relatava a experiência e inspirações da jovem na gravidez. (Foto: Reprodução/Instagram/@eukathlenromeu)

Maya ou Zayon seria o nome do bebê que a design de interiores Kathlen Romeu estava esperando. A jovem de 24 anos estava grávida e já havia publicado em suas redes sociais um texto relatando detalhes do período e anunciando os possíveis nomes selecionados. 

A jovem morreu após ser atingida por um disparo de arma de fogo durante uma operação policial na tarde de terça-feira (8) na Vila Cabuçu, em um dos acessos à comunidade Lins do Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

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Kathlen foi levada para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de Kathlen.

"Estou me descobrindo como mãe e fico assustada pensando em como vai ser...dou risada, choro e tenho medo. Um misto de sentimentos", escreveu ela, em uma publicação no Instagram há menos de uma semana. 

A design de interiores também destacou, no mesmo relato, que estava "se descobrindo como mãe" e que a gravidez a instigava a ser motivo de "orgulho" e "admiração" das pessoas. 

"Sabe aquela menina mulher que as pessoas admiram e tem orgulho?! Hoje ela quer ser mais e mais!!! Tudo por esse serzinho que eu carrego aqui dentro! Estou me descobrindo como mãe e fico assustada pensando em como vai ser..."

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Pai ajudou Kathlen a se mudar por medo da violência na região

Luciano Gonçalves, pai de Kathlen, revelou que havia tirado a filha do Complexo do Lins com medo da violência do local. “Era a coisa mais especial da minha vida. Cheia de sonhos, inteligente, tinha sonhando ser blogueira, modelo. Ela estava na melhor fase da vida”, relevou ele.

Sobre a gravidez da filha, ele revelou que havia sido um susto para a família, mas que todos consideraram uma benção. Kathlen estava grávida de 4 meses e, no dia em que foi morta, fez postagens dando bom dia ao bebê.

“A gravidez, no começo foi um susto. Ninguém esperava, mas foi a coisa mais maravilhosa da minha vida. Uma benção de Deus foi a gravidez da minha filha. Ela estava apreensiva, mas feliz. Ele estava apreensiva porque tinha parado de trabalhar, mas eu disse que ela não ficaria desamparada.”

Ele ainda criticou a postura da Polícia Militar. “A minha filha faleceu. Ceifaram a vida da minha filha e falaram que foi troca de tiros. Não foi. Como foi ela, poderia ser eu, uma pessoa do bem e falariam que eu era vagabundo. Na maioria das vezes não é confronto”, declarou ao jornal O Globo.

Em nota oficial, a PM disse que agentes foram atacados ao entrar no Beco do 14 e, então, a troca de tiros começou.

Avó de Kathlen classificou a morte da jovem como 'crime bárbaro'

A avó de Kathlen Romeu, jovem grávida de 4 meses que morreu após ser atingida durante uma ação da Polícia Militar, classificou o ocorrido como “um crime bárbaro”.

Ela relatou à TV Globo que, junto com Kathlen, estava indo ao trabalho da filha. Naquele momento, a rua estava tranquila. De repente, elas foram surpreendidas pelo tiroteio.

“Foi tudo muito de repente. A minha neta caiu, começou muito tiro. Quando eu puxei ela caiu, eu me machuquei ainda, me joguei para proteger ela, que está gravida. Eu só vi um furo no braço dela e gritei para eles me ajudarem a trazer. Perdi minha neta e meu bisneto”, disse a mulher, chorando.

Quase 700 mulheres foram baleadas desde 2017 no RJ

Quase 700 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro de 2017 até este ano. O levantamento consta na plataforma de dados Fogo Cruzado, e contabiliza tanto as vítimas baleadas em operação quanto as de homicídios.

Ao todo, foram 681 mulheres atingidas por disparos de arma de fogo, das quais 258 morreram. De 2017 para cá, 15 vítimas baleadas estavam grávidas; oito morreram.

Não só Kathlen - relembre outros casos de mulheres atingidas:

  • Karolayne Nunes de Oliveira, 19, foi morta durante um tiroteio no Complexo do Alemão, em janeiro de 2018 e estava grávida de 5 meses.

  • Dandara Damasceno de Souza, 21, foi atingida por um tiro no rosto na Vila Vintém, em março de 2018. Ela foi socorrida ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas já chegou ao hospital morta.

  • Maiara Oliveira da Silva, 20, grávida de 5 meses, foi baleada durante troca de tiros no Complexo da Maré, em outubro de 2020. A vítima perdeu o bebê.

Bebês também foram mortos em operações da polícia

Ainda de acordo com a plataforma do Fogo Cruzado, 10 bebês foram baleados quando ainda estavam na barriga da mãe. Somente um deles sobreviveu.

Em abril de 2019, uma grávida de 8 meses foi baleada na barriga em Costa Barros. A bala atingiu a cabeça do bebê.

Outro bebê também morreu antes de nascer em julho de 2017, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Claudineia dos Santos Melo, grávida de 39 semanas, foi baleada indo ao mercado, quando foi atingida.

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